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Pesquisa com apoio da FAPESP apresenta maior catálogo gênico da Amazônia

Publicado em 20 novembro 2020

Pesquisa com apoio da FAPESP apresenta maior catálogo gênico da Amazônia Uma pesquisa desenvolvida em parceria entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Institut de Ciències del Mar (ICM) do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) de Barcelona, na Espanha, caracterizou o conteúdo gênico da microbiota do rio Amazonas e usou essas informações para entender como a matéria orgânica terrestre é processada no rio à medida que deságua no oceano

O trabalho foi financiado pela Petrobras, em convênio de pesquisa com a UFSCar, no âmbito do Laboratório de Biologia Molecular, coordenado pelo professor Flavio Henrique da Silva. A pesquisa também teve financiamento da FAPESP por meio do projeto “Biodiversidade e processos microbianos em ecossistemas aquáticos”.

O conteúdo gênico foi realizado a partir de um conjunto de 106 metagenomas do rio Amazonas, que cobrem mais de 2 mil quilômetros de seu curso, incluindo a região da pluma, que deságua no oceano Atlântico. O levantamento deu origem ao maior Catálogo de Genes Microbianos não Redundantes da Bacia do Rio Amazonas (AMnrGC), com cerca de 3,7 milhões de genes, a maioria deles pertencente a bactérias.

Os resultados foram publicados em artigo na revista científica Microbiome. O catálogo inclui, por exemplo, sequências para enzimas que podem ser utilizadas para a produção de etanol de segunda geração, uma delas já estudada pelo grupo.

O artigo é fruto da pesquisa de doutorado de Célio Dias Santos-Júnior, no Programa de Pós-Graduação em Genética Evolutiva (PPGGEv) da UFSCar, sob orientação de Henrique da Silva, desenvolvido entre 2016 e 2019, com um período na Espanha.

Aplicações biotecnológicas

Os genes catalogados têm diversas aplicações biotecnológicas, porque podem ser usados para produzir biocombustíveis, produtos antimicrobianos e até agentes anticâncer. O catálogo também inclui genes que podem ser úteis para o desenvolvimento de tecnologias relacionadas à reciclagem. Além disso, o AMnrGC deve ajudar a entender como os microrganismos tratam metais pesados, armazenam carbono ou sequestram íons.

“Esse estudo também é importante para as ações de conservação, porque conhecer a microbiota do rio é o primeiro passo para entender se ele está ameaçado pelas mudanças climáticas, bom como para traçar estratégias e informar os responsáveis pela formulação de políticas hídricas e de conservação”, destaca Santos-Júnior, em entrevista para a Coordenadoria de Comunicação Social da UFSCar.

Outra conclusão do estudo é que a degradação da matéria orgânica derivada das plantas ocorre de forma diferenciada ao longo do rio, o que permitiu aos cientistas identificar as principais famílias de enzimas envolvidas nesse processo em diferentes trechos. Essas enzimas foram utilizadas para entender as rotas pelas quais a matéria orgânica é degradada e as espécies microbianas que realizam esses processos no rio Amazonas.

De acordo com o docente da UFSCar, também em entrevista para a Coordenadoria de Comunicação Social da UFSCar, as pesquisas futuras se concentrarão no estudo dessas enzimas, porque podem ter propriedades úteis para indústrias de papel e celulose e etanol de segunda geração, por exemplo.

Fonte: Agência Fapesp.