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Pesquisa científica: uma excelente oportunidade profissional para as mulheres

Publicado em 11 março 2013

Por Vanderlan da Silva Bolzani

Em 2010, escrevi um texto para a página web Unesp sobre Mulheres na pesquisa, um olhar firme no futuro. Passados 3 anos, verificamos um panorama não muito distinto daquele traçado anteriormente com relação aos índices estatísticos de hoje sobre a presença das mulheres na ciência. Se analisamos alguns dados disponibilizados na literatura e na mídia, eles contabilizam um ganho a nosso favor.

Dados obtidos da Unesco (United NationsEducational, Scientificand Cultural Organization), demonstram que as mulheres ainda são minoria na ciência em todo o mundo. Somos protagonistas de apenas 29% dos pesquisadores mundiais; mas temos uma posição destacada na América Latina, com um percentual de 46%, nos destacamos sobremaneira e este dado é bastante animador e um grande estímulo para as nossas jovens, buscarem na ciência e na pesquisa um universo fascinante de trabalho e realização profissional.

No Brasil, o número de mulheres pesquisadoras e em cargos de liderança avança de forma positiva e podemos até dizer que estamos no páreo dos colegas cientistas.  A investigação científica em todas as áreas do conhecimento, representa um campo de atuação profissional rico e cheio de desafios para as mulheres. Atuar na fronteira do conhecimento é um campo livre e as mulheres que optarem por serem docentes e/ou pesquisadoras, podem se tornar grandes cientistas.

Atualmente, não vejo barreira para a questão gênero, no que concerne as mulheres cientistas. Cada dia mais temos exemplos de mulheres cientificamente destacadas em várias áreas. É nossa missão também, enquanto cientistas, estarmos mostrando as jovens que o conhecimento e a ciência é um campo aberto, a todas que desejam ter no conhecimento sua ferramenta de trabalho. Obviamente, não me refiro aqui à ascensão a posições e cargos em qualquer esfera.

Neste sentido, seja no ambiente feminino seja no ambiente masculino, a competição é um dado concreto e as mulheres ainda estão em desvantagens, mesmo que o cenário vem mudando gradativamente. O Brasil de hoje mostra índices animadores e, destaco aqui, o avanço feminino na Câmara dos Deputados. No cenário atual  temos 468 deputados, sendo 45 mulheres. Já no Senado, apenas sete foram eleitas e estão exercendo os respectivos cargos. Entre os ministros, 28 são homens e 10 mulheres, num número bastante representativo.

No universo da ciência, o reconhecimento das cientistas pela própria academia ainda é tímido. Na Academia Brasileira de Ciências (ABC), dos 416 membros, 60 são mulheres, 17 delas formadas nas áreas biomédicas e nove na química, competindo a nós continuarmos nosso trabalho com firmeza almejando mudar este cenário.

Na Fapesp, o número de mulheres com projetos aprovados também cresce. Esta tarefa não é só nossa mas também dos vários setores que compõem uma sociedade, incluindo o Estado.

Entre os dias 12 e 14 de fevereiro, estive em Boston, MA, USA, para participar do simpósio Building Research Partnerships Between Women Scientists and Engineers in the U.S.andBrazil organizado pelo Departamento de Estado Americano, em parceria com a Universidade de Oregon, COAChProgram e pelo Brasil, planejado pela Fundação de Aperfeiçoamento de Professores de Ensino Superior (Capes), objetivando ampliar e fortalecer as colaborações de pesquisa entre cientistas dos dois países, principalmente nas ditas "ciências duras", incluindo as engenharias.

Durante dois dias, 32 cientistas americanas e brasileiras, discutiram intensamente formas de aumentarem a participação feminina em grandes projetos de pesquisa e principalmente em discutir propostas e ações voltadas para as jovens estudantes, no sentido e estimulá-las a entrarem na universidade para cursarem as chamadas "ciências duras" - química, matemática, física e engenharias.

Na sessão de abertura, o Dr. Jonathan Margolis, Secretário-assistente de Estado e Adjunto do Bureau de Assuntos Internacionais Científicos e Ambientais dos Estados Unidos enfatizou a importância da presença feminina não apenas nas ciências básicas mas também nas pesquisas de desenvolvimento e inovação tecnológica, onde a presença feminina é ainda menor. Neste Dia Internacional da Mulher, podemos comemorarmuitos desafios de conquistas, que diria, hoje são motivo de alegrias para um grande contingente de mulheres, com carreiras e profissões de sucesso. É acima de tudo um dia para refletirmos sobre o futuro que almejamos para o nosso planeta, um mundo onde a questão de gênero se resuma ao trabalho coletivo de homens e mulheres em prol de um mundo melhor para as próximas gerações.

Vanderlan  da Silva Bolzani é professora titular do IQ-UNESP e diretora-executiva da Agência Unesp de Inovação.