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Pesquisa científica no Brasil tem prestigio, mas há pouca inovação

Publicado em 30 novembro 2001

Laura Knapp escreve de SP para "O Estado de SP": Como lazer uma pesquisa sair do laboratório e se transformar em produto? Para tentar responder essa pergunta, cada vez mais freqüente no meio acadêmico, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Fundação de Amparo à Pesquisa de SP (Fapesp) organizaram, nesta quinta-feira, o Seminário Comercialização Internacional de Tecnologia Brasileira. "O espírito inventivo está aumentando muito no Brasil, com fantásticas criações de nível internacional", afirma Robert M. Sherwood, consultor em licenciamento e comercialização de tecnologia de empresas. Ele sabe o que diz. Há mais de uma década faz visitas periódicas ao Brasil, normalmente a cada três meses, para prestar assessoria no assunto. "Há um interesse muito maior na criação de tecnologias", diz. "A inovação, no entanto, está acontecendo nas pequenas empresas, nas Universidades, e não nas grandes corporações." Trata-se de um movimento também restrito mais ao Estado de SP, com reflexos no Paraná e em MG, completa Christopher M. Ostrovski, presidente da Technology Partners International, empresa do Canadá que faz a intermediação entre pesquisadores e investidores. Sem tradição no desenvolvimento tecnológico próprio, o Brasil engatinha na área. Para os cientistas acadêmicos, lidar com o mundo dos negócios ainda é uma grande novidade. E uma grande incógnita. O primeiro passo para quem quer ganhar dinheiro com suas pesquisas é refrear o instinto científico de publicar seus achados. No Brasil, a lei dá ao pesquisador um ano de prazo entre a publicação da pesquisa e a entrada do pedido de patente. Porem, como nem todos os países fazem o mesmo, ao divulgar suas descobertas o cientista basicamente a coloca ao alcance de qualquer outra pessoa que queria registrá-la como sua em outra nação. "Pense antes de publicar", aconselha Sherwood. "É preciso apresentar um pacote muito bem feito para o investidor, mostrando todos os aspectos do plano", ensina Ostrovski. "Licenciamento de tecnologia é um negocio, e assim exige uma estratégia de negócios", diz Walter J. Bayer, vice-presidente e conselheiro geral da GE Licensing. Tecnologias inovadoras são tão importantes que grandes empresas, como a GE e a IBM, por exemplo, contam com um Depto, interno só para analisar e patentear as invenções de seus próprios funcionários. Está é uma das grandes dificuldades dos acadêmicos. Como saber se sua pesquisa vale o investimento para transformá-la em produto? Afinal, 90% do que é produzido nas Universidades não é comercializável, diz Ostrovski. Entra ai o papel dos Depto.s, dedicados a prospectar boas oportunidades de negócios. (O listado de SP, 30/11) EXCLUSIVO: FAPESP APÓIA PROPOSTA DA ABJC DE ORGANIZAR NO BRASIL A III CONFERÊNCIA MUNDIAL DE JORNALISTAS CIENTÍFICOS O presidente da Fapesp, Carlos Henrique Brito Cruz, manifestou, nesta quinta-feira, o grande interesse da Fapesp de apoiar a organização da III Conferência Mundial de Jornalistas Científicos, a ser realizada no Brasil em novembro de 2002. Brito recebeu a diretoria da Associação Brasileira de Jornalismo Científico em seu escritório na Unicamp para falar sobre o evento, que deverá ser realizado em conjunto com o 7o. Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico, na Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São José dos Campos (SP). O vice-presidente da ABJC, José Roberto Ferreira, e as diretoras acadêmicas, Graça Caldas, e de divulgação e publicações, Fabiola de Oliveira, fizeram um relato sobre as duas conferências anteriores, realizadas em Tóquio (92) e em Budapeste (99). Ressaltaram a grande oportunidade de trazer ao Brasil jornalistas científicos de todo o mundo, que poderão conhecer de perto os bons resultados de projetos de desenvolvimento científico e tecnológico do País. Brito sugeriu a realização, durante a conferência, de um workshop dedicado a mostrar bons resultados da pesquisa brasileira, a ser organizado pela Fapesp e ABJC, em conjunto com as principais entidades representativas da C&T. Ele disse ainda que pode apoiar a sugestão apresentada pela ABJC de uma mostra desses projetos bem sucedidos, incluindo empresas emergentes de tecnologia de ponta, que tem recebido incentivos da Fapesp e de outros órgãos governamentais. A reunião foi bastante produtiva e gratificante, pois alem de demonstrar a disposição de apoiar efetivamente a organização do evento mundial, o presidente da Fapesp mostrou ser bastante sensível à relevância do jornalismo científico como forma de conhecimento publico. O diretor do Labjor/ Unicamp, Carlos Vogt, vice-presidente da SBPC, reuniu-se com os diretores da ABJC também nesta quinta-feira, e disse que o Labjor também se dispõe a ser parceiro da ABJC na organização da conferência mundial. Alem de participar da elaboração do programa do evento, o Labjor deverá trabalhar com a ABJC na divulgação da conferência. (Assessoria de Imprensa da ABJC) Jc e-mail