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Gazeta do Povo online

Pesquisa científica do PR avança a passos tímidos

Publicado em 09 agosto 2009

Embora tenham ganho força, com bons resultados nos últimos anos, as universidades paranaenses ainda têm um longo caminho a percorrer até colocarem o estado entre os expoentes da produção científica no Brasil. Os números do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal órgão de fomento à pesquisa do país, evidenciam a distância que ainda separa o Paraná dos estados líderes no trabalho com ciência de ponta. Atualmente, 235 pesquisadores paranaenses contam com bolsas de doutorado concedidas pelo CNPq. São Paulo, o estado que conta com as principais universidades do país, tem dez vezes mais doutores bolsistas que o Paraná. São 2.845. O Rio Grande do Sul tem 829 e Santa Catarina, cuja população corresponde a 57% da paranaense, tem 332.

O estado também não conta com nenhum programa de pós-graduação com nota sete, conceito máximo na avaliação realizada pelo Ministério da Educação (MEC). A Universidade Federal de Santa Catarina tem dois programas com sete; as universidades federais gaúchas, juntas, têm 20. Os vizinhos do Sul também levam vantagem em relação aos Institutos de Ciência e Tecnologia, aposta do governo federal para articular os principais grupos de pesquisa do país em áreas consideradas estratégicas. Enquanto o Paraná sedia apenas 2 institutos, Santa Catarina tem 4 e o Rio Grande do Sul, 9. "Estamos cientes dessa realidade", explica Sérgio Scheer, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Parte da desvantagem paranaense pode ser explicada pela questão financeira. O Paraná é apenas o 11.º na lista de estados e unidades de federação que mais recebem verbas para pesquisa científica por habitante (veja tabela ao lado) ao ano. São R$ 4,40 per capita contra R$ 10,10 no Rio Grande do Sul. "Isso é histórico. Os estados com mais universidades federais têm mais recursos do CNPq. O Rio Grande do Sul tem 6. O Paraná tem 2, sendo que uma é muito recente", diz o ex-reitor da UFPR Carlos Antunes.

"Com apenas a UFPR de instituição federal no Paraná, coube ao governo estadual investir no ensino universitário", explica a secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto. Para este ano, a secretaria deve investir R$ 124,5 milhões no fomento à pesquisa, por meio da Fundação Araucária e de recursos investidos diretamente nas universidades esta­duais. "Desde 2003 mudamos o foco dos repasses de ONGs e Oscips para nossas instituições. Estamos com 3 mil projetos financiados e 273 bolsas de pós-graduação em vigência. É um recorde", diz Lygia. O investimento feito pelo governo do estado deve ser comemorado, mas com cautela, já que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) teve no ano passado, por um exemplo, um orçamento de R$ 517 milhões. "Temos uma agência estadual de fomento, mas os recursos são limitados pela capacidade de arrecadação do estado. Essa verba não vai atender todo mundo", afirma Antunes.

A solução? Mais pesquisa. Segundo Lygia, as universidades estaduais são novas e, aos poucos, têm ganho amadurecimento acadêmico. "Demora para fazer um curso de pós-graduação. Precisa de uma série de exigências. Quando as exigências vão sendo supridas, você tem mais poder para obter financiamento no governo federal."

É o caminho que está sendo trilhado, aos poucos, pelas universidades estaduais. A Thomsom Scientific, principal banco de dados da produção científica mundial mostra que a UEM passou do 22.° para o 19.° no ranking das principais universidades brasileiras. A UEL também subiu uma posição, atingindo o 28º lugar.

A Universidade Federal também tem melhorado seus índices de produtividade acadêmica nos últimos anos. Apesar de ser a mais antiga universidade federal brasileira, a instituição demorou a apostar em mestrados e doutorados. "Durante muito tempo, achou-se que uma graduação forte era o essencial e o suficiente", diz Scheer.

Segundo ele, esse pensamento foi revertido nas últimas décadas, paralelamente a um maior empenho da bancada paranaense em Brasília. "Os políticos têm tido essa conscientização e nós, aos poucos, vamos colhendo os frutos."

A UFPR tem a 12.º posição na base de dados Thomson Scientific, referente a 2005. No último levantamento de publicações de artigos científicos da Coordenação de Aperfei­çoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a UFPR aparece em 8.°, com o número de ar­­­tigos científicos publicados em revistas internacionais subindo de 19, em 1995, para 530 em 2007.