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UNOESTE - Universidade do Oeste Paulista

Pesquisa busca saber possíveis causas do câncer de próstata

Publicado em 07 junho 2021

Relevância da produção científica que relaciona tóxicos ambientais à vida humana resultou em apoio da Fapesp

Pesquisa científica avalia se a exposição ambiental a produtos tóxicos, desde a vida intrauterina até a adulta do homem, pode causar o câncer de próstata. A relevância de entender melhor essa possível correlação está entre os motivos do estudo receber aporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Sua realização tem o caráter interinstitucional ao envolver universidades privada e pública: Unoeste e a Unesp.

O pesquisador Dr. Leonardo de Oliveira Mendes, coordenador do Mestrado em Ciências da Saúde da Unoeste, conta que a Fapesp destinou o auxílio de R$ 200 mil, dos quais a metade foi para a compra de equipamentos importados que permitirão a implementação de uma técnica de quantificação de proteínas ainda não executada na Unoeste. Pesquisa iniciada em agosto de 2020, no Biotério de Experimentação Animal, utilizando ratos como modelo experimental, sendo que agora parte das análises serão no Laboratório de Biotecnologia em Saúde, recém-construído na Unoeste.

Outra parte das amostras dos animais será encaminhada para um laboratório particular que fará a análise da expressão gênica global, ao custo de R$ 25 mil; para posterior avalição bioinformática dos dados. A pesquisa tem o título “Caracterização da tríade exposição-gene-doença: efeitos de uma mistura de desreguladores endócrinos baseada na exposição humana sobre o microambiente prostático” e tem como proponente na agência paulista de fomento o próprio Dr. Leonardo. 

Pela Unoeste, o projeto tem as parcerias da Dra. Francis Pacagnelli e do Dr. Anthony Cesar de Souza Castilho, coordenador do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciência Animal, que oferta mestrado e doutorado. O estudo tem a parceria do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB), no campus local da Unesp, por intermédio do Dr. Wellerson Rodrigo Scarano; e também da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT-Unesp), campus de Presidente Prudente, com a Dra. Dra. Giovana Rampazzo. São sete estudantes envolvidos, todos da Unoeste.

Pelo mestrado em Ciências da Saúde está Manoel Felzener. Em Ciência Animal são três estudantes de mestrado: Karianne Delalibera Hinokuma, Thainá Cavalleri (bolsista, Andreia Yoshigae (taxista); e no doutorado Ana Beatriz Ratto Gorzoni (taxista). A bolsa e as duas taxas são pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação. Em iniciação científica estão Letícia Estevam Engel, do curso de Biomedicina; e Maria Luiza Silva Ricardo, do curso de Ciências Biológicas; respectivamente bolsistas do CNPq e da Fapesp.

Conforme o Dr. Leonardo, o projeto avalia a exposição de roedores à uma mistura de drogas conhecidas como desreguladores endócrinos, uma classe de tóxicos ambientais que envolve agrotóxicos, produtos plastificantes, compostos que estão presentes em produtos de beleza e no dia a dia do ser humano. “Tal mistura foi criada por um grupo de pesquisa da Dinamarca e mimetiza o que nós, seres humanos, estamos expostos ao longo da vida. A hipótese é de a exposição a essa mistura de tóxicos ambientais desde a fase intrauterina (através da mãe) até a vida adulta possa contribuir para o desenvolvimento do câncer de próstata”, explica.

“O trabalho tem como objetivo avaliar a expressão gênica global dos animais submetidos a essa mistura e comparar com as alterações gênicas observadas no câncer de próstata em humanos. Assim, caso sejam semelhantes, poderemos chegar à conclusão de que o tumor prostático que aparece no homem na fase adulta pode estar relacionado com toda exposição ambiental que ele sofre ao longo da vida”, comenta sobre a pesquisa que poderá ter os primeiros resultados publicados dentro de um ano.

De acordo com o docente, “a pesquisa permitirá entender melhor as possíveis causas do câncer prostático, um tipo de tumor que na maioria das vezes é silencioso, estabelecendo, assim, uma relação com a exposição ambiental”. Ele é biólogo pela Unesp em Assis, mestre e doutor em biologia celular e estrutural pela Unicamp, com parte do doutorado realizado no Center for Nuclear Receptors and Cell Signaling com orientação do Dr. Jan-Ake Gustafssom, na Universidade de Houston, nos Estados Unidos; possuindo pós-doutorados na Unicamp e Unoeste, onde também atua como professor pesquisador em Ciências da Saúde e Ciência Animal.