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Correio Popular online

Pesquisa busca drogas contra câncer infantil mais comum

Publicado em 09 agosto 2015

Um estudo internacional iniciado este mês em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Centro Infantil Boldrini e da Universidade da Carolina do Norte em Charllote (UNC Charlotte, EUA), leva esperança para crianças diagnosticas com um dos tipos mais agressivos de leucemia, o BCR-ABL1-like. A meta é identificar os genes causadores desse subgrupo de Leucemia Linfoide Aguda (LLA) — tipo de câncer infantil mais comum — e encontrar novas drogas que inibam a doença.

O estudo colaborativo é coordenado pelo professor, biólogo e cientista brasileiro Paulo Arruda, do Departamento de Genética da Unicamp, em parceria com o pesquisador argentino José Andres Yunes, do Boldrini, e com a professora chinesa Xinghua Mindy Shi, do Departamento de Bioinformática e Genômica da UNC Charlotte. O estudo custará US$ 40 mil e os recursos são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da UNC Charlotte. Para realizar o projeto colaborativo, foi montada uma equipe interdisciplinar responsáveis pela pesquisa biomédica, que reúne competências em bioinformática, genética, ciências, proteínas e biologia do câncer. A pesquisa já é considerada inovadora pelos pequisadores graças à utilizarão conhecimentos na área de bioinformática — técnicas de informártica usada no estudo de biologia — que dará acesso a informações sobre os 21 mil dos genes presentes em cada célula.

A LLA é o câncer mais comum diagnosticado em crianças e representa aproximadamente 25% dos diagnósticos de câncer entre crianças menores de 15 anos. A LLA do tipo BCR-ABL1-like é caracterizada por mutações genéticas nos circuitos de sinalização celular. Segundo o doutor José Andres Yunes, é justamente o excesso de estímulo celular causado pelas mutações que contribui para o surgimento desse tipo de leucemia, assim como a sua maior resistência ao tratamento quimioterápico. Daí a necessidade de buscar novas drogas para bloquear os circuitos defeituosos. De acordo com ele, pacientes com LLA têm uma sobrevida de 80%. Já para os que desenvolvem o BCR-ABL1-like, a sobrevida é de 50%. “A pesquisa será baseada na integração de análises de bioinformática com estudos experimentais que tem demonstrado ser uma estratégia poderosa para fazer avançar a compreensão das doenças”, afirma o pesquisador.