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Jornal Primeira Página

Pesquisa busca curar doenças tropicais

Publicado em 01 fevereiro 2009

O Instituto Nacional de -Biotecnologia Estrutural e Química Medicinal em Doenças Infecciosas (INBEQMeDI), que fica no Instituto de Física São Carlos, localizado no campus da USP, trabalhará para desenvolver novos fármacos para o tratamento de doenças endêmicas brasileiras, especialmente leishmaniose, " esquistossomose, doença de Chagas, malária e leptospirose, as informações foram passadas pela Agência USP . ao Primeira Página.

Quem confirma a afirmação é o coordenador do instituto, o renomado professor Glaucius Oliva, que também ocupa o cargo de diretor do 1FSC da USP. "Nosso Instituto tem como foco os estudos ; estruturais e biológicos em alvos moleculares específicos de microorganismos associados com essas doenças tropicais" explica.

Glaucius Oliva destaca que a proposta do INBEQMeDI reside na continuidade dos resultados alcançados pela "iniciativa bem sucedida" do Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CBME), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), programa criado, em 2000, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou grupos de pesquisa considerados estratégicos para o Estado. O Instituto, coordenado por Oliva, teve recursos aprovados da ordem de R$ 4,8 milhões, inseridos no maior investimento feito em redes de pesquisa no País, R$ 553 milhões, aplicados em 101 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) nos próximos três a cinco anos.

"Por intermédio do CBME, nos últimos 8 anos temos conduzido projetos inovadores em biotecnologia estrutural e química medicinal, incluindo o desenvolvimento de patentes, transferência de tecnologia e disseminação da ciência por meio de diversos programas dedicados aos alunos e professores do ensino médio, bem como à população em geral" afirma. "Outro fator fundamental para este novo projeto é o fato termos sido recentemente selecionados pela Organização Mundial da Saúde, por meio de seu Programa de Pesquisas em Doenças Tropicais (TDR), como centro de referência mundial de química medicinal em doença de Chagas."

Segundo o professor Glaucius Oliva, essas doenças "negligenciadas" são um dos grandes desafios da ciência moderna. "A dura realidade de milhões de mortes anuais, além do terrível impacto na já precária qualidade de vida das pessoas afetadas por estas enfermidades, nos coloca a urgência de dedicarmos nossas mais poderosas ferramentas científicas para uma melhor compreensão das causas e características das doenças tropicais e, assim, avançar na descoberta e desenvolvimento de novos fármacos" reitera. "Há, hoje, no cenário internacional, forte interesse, tanto dos cientistas como de organizações governamentais ou não, em apoiar e realizar pesquisas de fronteira na biologia dos parasitas e na busca de moléculas inovadoras que possam ser usadas para a prevenção, tratamento e cura destas doenças. Nosso projeto, portanto, está alinhado com outras iniciativas de ponta, tanto no Brasil como no exterior."