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Pesquisa busca aperfeiçoar moléculas com ação antitumoral

Publicado em 26 julho 2013

Inspirados em compostos naturais com ação antitumoral já descrita na literatura científica, cientistas do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp) sintetizaram em laboratório cerca de 150 moléculas que estão sendo testadas em linhagens celulares de câncer e em modelos animais.

O objetivo dos pesquisadores é desvendar o mecanismo de ação das moléculas, selecionar as mais promissoras e descobrir que tipo de modificação poderia ser feita em sua estrutura para aumentar o efeito medicinal e minimizar possível toxicidade.

O trabalho está sendo desenvolvido no âmbito de um projeto coordenado pelo professor Ronaldo Aloise Pilli, do IQ-Unicamp. Parte dos resultados foi apresentada durante a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Química Bio-orgânica, evento realizado em Araraquara, no início de julho, com apoio da FAPESP.

Segundo Pilli, a maior parte da biblioteca de compostos sintetizados na Unicamp foi inspirada em duas substâncias naturais: a piplartina – isolada da pimenta-de-macaco (Piper tuberculatum), popular no Nordeste brasileiro – e a goniotalamina – extraída das raízes e hastes de um arbusto da espécie Goniothalamus macrophyllus, originário da Ásia.

“Há grupos realizando testes com as versões naturais desses compostos, mas a grande vantagem da síntese química é poder torná-los ainda mais eficazes por meio de modificações estruturais. Nosso objetivo é descobrir princípios que sirvam de ponto de partida para a criação de novos medicamentos”, afirmou Pilli.

A ação das moléculas está sendo testada em linhagens de câncer de mama, ovário, pulmão, rim, melanoma (pele), glioma (cérebro), cólon (intestino), pâncreas e próstata. Até o momento, segundo Pilli, seis compostos sintéticos já mostraram resultados promissores contra tumores de mama, pâncreas e próstata, o que motivou o início dos testes em animais – não previstos inicialmente no projeto.

Em um experimento descrito na revista Bioorganic & Medicinal Chemistry, os pesquisadores implantaram em camundongos um tipo de adenocarcinoma mamário extremamente agressivo e de rápido crescimento conhecido como tumor de Ehrlich.

Alguns dos animais foram tratados com a goniotalamina produzida em laboratório e os demais com 5-fluorouracila – um dos quimioterápicos de uso clínico. Após 15 dias, a inibição do crescimento das células malignas e a redução da massa tumoral foram comparáveis nos dois grupos, sem qualquer evidência de toxicidade aguda nos animais tratados com o produto sintético.

Em outro modelo experimental, descrito no mesmo artigo, os pesquisadores induziram um edema na pata dos camundongos com uma substância chamada carragenina. Nesse caso, a versão sintética da goniotalamina ajudou a reduzir a inflamação.

“Estamos tentando descobrir por meio de qual mecanismo essas substâncias inibem o crescimento das colônias de células tumorais. Queremos entender em qual estágio da divisão celular esses compostos estão interferindo e descobrir se eles interagem com uma proteína de membrana ou se entram na célula e alteram alguma estrutura do citoplasma ou do núcleo. Esse conhecimento pode nos ajudar a aperfeiçoar as moléculas”, explicou Pilli.

Fonte: Agência Fapesp