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PESQUISA: Brasileiro cria novo composto contra o câncer

Publicado em 07 novembro 2002

O pesquisador Antônio Fávero Caíres, da Universidade de Mogi das Cruzes, divulgou ontem o resultado de uma pesquisa que teve duração de 13 anos. Dela nasceu um composto que desmonta a enzima responsável pela metástase. O pesquisador segue a tendência mundial de tentativas de enfraquecer os tumores, em vez de atacar diretamente as células cancerosas. O composto desenvolvido por Caíres usa o paládio, um elemento do mesmo grupo da platina, já usada na quimioterapia. De acordo com o pesquisador, a diferença é que a platina ataca tanto células doentes como sadias, produzindo muitos efeitos colaterais indesejáveis. O pesquisador explica que o paládio possui um grau de toxidade menor por buscar apenas a célula cancerosa, de forma mais efetiva. O novo método destrói a estrutura da enzima catepsina B, responsável pelo crescimento do tumor e pelo espalhamento das células doentes. Esta enzima aparece em cerca de 90% dos tumores malignos, segundo afirmou o co-autor do estudo, o pesquisador Ivarne Luiz dos Santos Tersariol. Caíres, Tersariol e a pesquisadora Cláudia Bincolleto Trindade testaram a nova técnica em ratos. "Observamos uma regressão do tumor e até seu desaparecimento completo em alguns casos", disse Caíres. O próximo passo é encaminhar o estudo para as mãos de laboratórios multinacionais, os quais financiariam testes avançados de viabilidade. Pensando nisso, os três pesquisadores já deram entrada com um pedido de patente no Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Particular). Agora, eles lutam para conseguir o registro mundial, com a ajuda da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo). "Só a partir da patente internacional é que será possível abrirmos os dados para laboratórios multinacionais", afirmou o pesquisador.