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Ambientebrasil

Pesquisa brasileira na Europa

Publicado em 18 agosto 2009

O Brasil ocupa uma das primeiras posições em participação em pesquisa, ciência e tecnologia como país não membro da União Europeia (UE). Como reconhecimento e incentivo à participação cada vez maior dos pesquisadores brasileiros, a Comissão Europeia premiou, no dia 13 de agosto, instituições do país que tiveram projetos aprovados em 2008 e 2009.

Em evento realizado no auditório da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), representantes da Comissão Europeia anunciaram também o lançamento de 53 novos editais para apresentação de propostas em várias áreas temáticas no Sétimo Programa-Quadro (FP7).

Além da premiação, os objetivos do encontro foram a exposição da participação brasileira na UE, apresentação de casos de projetos em andamento, debate sobre o papel dos pontos de apoio ao programa no Brasil e treinamentos futuros sobre elaboração de projetos.

Os Programas-Quadro ("Framework Programmes") são o principal instrumento de financiamento utilizado pela União Europeia para apoiar atividades de pesquisa e desenvolvimento. O 7º Programa-Quadro (Seventh Framework Programme - FP7) é a versão atual do programa que existe desde 1984.

De acordo com Angel Landabaso, conselheiro de Ciência e Tecnologia da delegação da Comissão Europeia no Brasil, o desafio não é desenvolver somente projetos, mas traçar objetivos mais amplos.

"Estamos caminhando para iniciativas mais conjuntas. A cooperação visa não apenas a fazer projetos, mas a criar programas para o desenvolvimento científico e educacional mundial. Estamos convencidos de que as soluções para os desafios do futuro devem ser fruto de parcerias entre as sociedades", disse.

Landabaso salientou que os pesquisadores normalmente vão em busca de apoio à sua pesquisa. "E o que gostaríamos era complementar isso com um diálogo político para identificar as prioridades comuns das comunidades."

Ele reconhece que a tarefa de formatar projetos em parceria não é simples. "Cada país tem uma estrutura, uma administração, um procedimento. Mas esse é o desafio do Programa-Quadro. E a ciência e a tecnologia é só uma parte desse processo", disse.

O FP7 dispõe de um orçamento de mais de 50 bilhões de euros e os novos editais para apresentação de propostas englobam áreas temáticas como saúde, agricultura, tecnologias de informação e comunicação (TICs), nanociências, energia e meio ambiente, entre outras.

Landabaso destacou a parceria do Brasil com os países da União Europeia em alguns projetos em conjunto, como a produção da segunda geração de biocombustíveis. "É evidente que o Brasil tem grande experiência no setor e temos também conhecimento com processos envolvendo celulose, como a utilização do bagaço de cana. Portanto podemos unir as forças e, para isso, vamos lançar dois editais conjuntos nessa área", disse.

De acordo com Paulo Lopes, conselheiro para a Sociedade da Informação e Comunicação da Comissão Europeia no Brasil, as TICs representam um setor importante, uma vez que se aplicam aos mais diversos setores da economia.

"A área das TICs é a maior no programa de cooperação. Corresponde a quase 30% do orçamento. Há muito interesse comum, tanto da EU como do Brasil, de reforçar a cooperação no setor das TICs. E há também vontade política dos dois lados", disse Lopes.

Entre as instituições brasileiras premiadas, a Universidade de São Paulo (USP) se destacou pelo volume de projetos apresentados (43), enquanto a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Estadual de Campinas se sobressaíram na quantidade de projetos aprovados (sete e seis, respectivamente) - de pesquisadores da USP foram aprovados cinco projetos.

Os representantes das universidades e dos institutos de pesquisas brasileiros com projetos aprovados no Programa-Quadro de 2007 e 2008 foram premiados com diplomas.

(Fonte: Agência Fapesp)