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Pesquisa brasileira em agricultura é tema de seminário na Agrishow

Publicado em 04 maio 2017

Ribeirão Preto (SP) – O futuro da pesquisa na agricultura e a sua aplicação no campo foram temas debatidos nesta quarta-feira (3/5) durante o Seminário Agenda do Agronegócio – Agricultura do Futuro, realizado na Agrishow, em Ribeirão Preto. Na ocasião, especialistas destacaram a importância da pesquisa científica para o dia a dia da população, assim como os investimentos destinados a esses estudos e o desafio da agricultura brasileira em aumentar significativamente a sua produção de alimentos em dez anos.

O pesquisador e diretor-geral do Instituto Agronômico (IAC), Sérgio Carbonell, abordou a mudança de hábito de consumo da população brasileira ocorrida após pesquisas do IAC. Como exemplo, ele citou os feijões carioca e carioquinha, que foram desenvolvidos pelo Instituto na década de 1970. “Essa mudança de hábito ajudou a desenvolver toda a parte industrial dessa cultura. Hoje em dia, ninguém mais escolhe feijão como antigamente. É um reflexo do desenvolvimento da indústria impulsionado pela pesquisa científica”, argumentou. Carbonell frisou ainda que, de acordo com um estudo realizado pela Apta, para cada R$1,00 investido em pesquisas, R$11,40 são devolvidos para a sociedade.

Silvio Crestana, que foi diretor-presidente da Embrapa entre 2005 e 2009, traçou um panorama do que deve ser o futuro da pesquisa agropecuária no Brasil. Para ele, o desafio está na questão do financiamento, para que o Brasil cumpra as agendas de pesquisa voltadas para o setor do agronegócio nos campos estratégico, social e internacional. “Eu só vejo uma maneira para o Brasil cumprir essa agenda, que é com empréstimo internacional. Nos próximos anos, a ciência e a tecnologia não terão dinheiro devido às prioridades que o País tem com educação, saúde, segurança e infraestrutura. E a ciência não pode esperar cinco ou 10 anos, ou estaremos fora do mundo moderno e perderemos competitividade”, disse. Segundo ele, “a Embrapa só fez o avanço que fez porque buscou investimento internacional”.

Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), lembrou os desafios e o papel do Brasil na meta de produção alimentar para o mundo. “A OCDE diz que em 10 anos precisamos aumentar em 20% a oferta de alimentos para que haja paz no mundo. E para que o mundo cresça 20%, em média, por sua importância para o abastecimento, o Brasil tem de crescer 40%. Ou seja, o mundo pede para que o Brasil cresça em 10 anos o dobro do que o mundo crescerá. E podemos fazer isso, porque temos terra disponível e temos fundamentalmente tecnologia”, projetou Rodrigues.

No encontro, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, destacou o investimento de R$120 milhões da Fapesp, destinado à modernização dos institutos de pesquisa do Estado. “São Paulo, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado, a Fapesp, é responsável por cerca de 75% do financiamento das pesquisas do País. E esse dinheiro só pode ser aplicado em pesquisa porque anos atrás uma lei estadual destinou 1% do ICMS recolhido no Estado para a Fundação”, disse.

Organizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o evento tem programação até sexta-feira (5), quando debaterá sobre “Alimentação Saudável”, às 10h, no Centro de Cana IAC.