Notícia

Jornal do Brasil

Pesquisa brasileira é marco científico

Publicado em 13 julho 2000

Pela primeira vez em 130 anos, o resultado de uma pesquisa brasileira é capa da revista britânica Nature. O feito é de cientistas de institutos de pesquisa de São Paulo que completaram, no início deste ano, o seqüenciamento do genoma da Xylella fastidiosa, bactéria que causa a praga do amarelinho. Por ser o primeiro fitopatógeno - microorganismo que provoca doenças em plantas a ser seqüenciado, o editorial da revista classifica a descoberta como um marco científico. O genoma da Xylella é bem mais simples que o do homem, com pouco mais de 2,6 milhões, de pares de bases. O DNA humano tem 3,2 bilhões de pares. Os pesquisadores já identificaram a função de metade dos genes da bactéria, o que os permitiu concluir que a Xylella não fabrica carboidratos. Para poder se alimentar, ela se aloja nos tubos da planta que transportam a seiva. No artigo publicado na Nature, que circula hoje, os cientistas revelam a localização de genes que codificam moléculas que promovem a adesão. Até então, genes com esta função só haviam sido identificados em bactérias que infectam humanos e animais. Isso sugere que os mecanismos de infecção humana e vegetai são semelhantes. O artigo é assinado por mais de 100 pesquisadores brasileiros, entre eles Andrew Simpson, do Instituto Ludwig, e João Setúbal, da Unicamp. O Projeto Xylella foi lançado em 1997, com financiamento da Fapesp.