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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Pesquisa brasileira descobre causa das crises de artrite

Publicado em 31 agosto 2008

Quando todos olhavam para um lado, elas olharam para outro. Fizeram perguntas diferentes e descobriram coisas muito interessantes. Duas cientistas do Instituto Butantan, Catarina Teixeira e Cristina Fernandes, viram que uma mesma proteína encontrada em abundância nos estágios mais avançados da artrite (algo que todos dessa área sabiam) pode também ser uma das causas dessa enfermidade (essa é a parte que ninguém mais parece ter pensado ou demonstrado).

O que elas descobriram, em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e da Universidade de Costa Rica, faz mais do que jogar luz nos tortuosos labirintos da inflamação e da dor que gradativamente se apossam de articulações como joelhos, cotovelos, punhos e mãos. Também ajuda a compreender melhor como e por que os tratamentos atuais podem ou não funcionar para conter essa doença, que persegue principalmente as mulheres, em uma proporção três vezes maior que os homens, e começa a aparecer por volta dos 35 anos.

No Brasil aproximadamente 2 milhões de pessoas convivem com a artrite e, nos casos mais graves, evitam se mover para escapar da dor, como se houvessem se tornado prisioneiras do próprio corpo.

“A natureza é econômica”, comenta Catarina, explicando como, a partir desta constatação tão simples, ela e Cristina se perguntaram se a mesma proteína não poderia ter funções mais amplas e relevantes. O artigo que publicaram no ano passado na British Journal of Pharmacology deixa claro como a molécula que estudaram – a BaP1, extraída do veneno de uma serpente e muito similar à de seres humanos – aciona e alimenta os processos inflamatórios típicos da artrite.

É também ela que promove a liberação de substâncias inflamatórias conhecidas como prostaglandinas e citocinas, que causam dor nas articulações, e ainda corrói as cartilagens nos estágios mais avançados da doença.

Somado aos resultados obtidos por outros grupos de pesquisa, esse trabalho ajuda a eleger essas proteínas – enzimas chamadas de metaloproteases por carregarem um metal, normalmente zinco – como alvo potencial para combater não só a artrite como também tumores e outras doenças de cujo desenvolvimento participam. (Agência Fapesp)