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Vale do Ivinhema Agora

Pesquisa avança no combate ao bicudo da cana

Publicado em 28 maio 2010

A gente não vê, mas eles vivem no solo, não prejudicam as plantas, ao contrário, atacam os insetos que se alimentam das raízes delas. Só no laboratório conseguimos visualizá-los. O Steinernema Puertoricense é uma das 50 espécies de nematóides que não prejudicam as culturas. Esses nematóides foram capturados por cientistas do Instituto biológico e há quatro anos estudam o comportamento dos vermes e como podem ser usados no controle das pragas de solo.

Eles foram colhidos no Mato Grosso e reproduzidos num laboratório em Campinas. O entomologista Luís Leite explica como os nematóides agem nos insetos: "Eles possuem uma associação com bactérias, eles carregam a bactéria no intestino que são liberadas no inseto após serem penetradas. Os insetos morrem em 48 horas". Depois que mata a praga o nematóide continua agindo no solo, explica Luís: "Depois que ele mata o inseto eles passam a se alimentar da sopa bacteriana, eles se reproduzem e dentro de poucos dias milhares de nematóides deixam o cadáver do inseto na busca de novos hospedeiros".

Para ser usado na agricultura o nematóide vai ser comercializado misturado a um pó que deve ser diluído em água. O nematóide pode ser usado para controlar a broca da coroa do dendê, muito comum na região Amazônica.

Mas foi contra o bicudo, umas das principais pragas que atacam os canaviais do estado de São Paulo, que as pesquisas avançaram mais rápido e ele conseguiu o registro de bio-inseticida junto ao Ministério da Agricultura. Nos testes feitos no campo houve uma redução de 60% dos insetos adultos e um ganho de produtividade que variou de cinco a 17 toneladas por hectare.

Segundo Luís Leite basta uma pulverização por safra no início do desenvolvimento vegetativo da planta: "A recomendação é para aplicar este nematóide nos períodos de chuva, uma vez que eles requerem o mínimo de umidade no solo para poderem atuar." O projeto financiado pela Fapesp está na fase de transferência de tecnologia para iniciativa privada. Luís acredita que em breve esteja no mercado.

Ciência brasileira vive melhor momento no cenário internacional

A ciência básica e a produção do conhecimento brasileiro foram destaques de uma das plenárias realizadas nesta quinta-feira (27), no segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI).

Coordenada pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Pallis, a mesa teve a participação de Ima Vieira, ex-diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT); Sérgio Danilo Pena, professor titular do departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e de Jailson Bittencourt de Andrade, professor titular do departamento de Química Geral e Inorgânica da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Eles foram unânimes em afirmar que a situação da produção científica nacional vive seus melhores momentos no cenário internacional. O Brasil ocupa a 13ª posição no ranking mundial e tem a liderança na América Latina. Porém, no ranking de citações, onde é medida a qualidade da pesquisa desenvolvida, o País aparece em 24º lugar.

O professor Pena acredita que um dos fatores desse descompasso seja a burocracia imposta aos pesquisadores. "Precisamos ter a liberdade de obter apoio das agências para projetos de pesquisa que evoluirão por seleção natural e não por projetos pré-formados", explica.

O presidente da ABC ressaltou que o resultado notável da situação brasileira permite que o País desempenhe um papel importante nas principais agências internacionais de ciência. Mas enumerou uma série de medidas que deverão ser tomadas pela comunidade científica e pelo setor empresarial para que o País consiga dobrar a quantidade da sua produção sem perder a qualidade.

O pesquisador Bittencourt de Andrade esclareceu também que, além da necessidade de crescimento da produção local, é preciso estar atento a um dos maiores desafios da atualidade, que é conectar a inovação com a sustentabilidade. "A agenda do século 21 envolve sustentabilidade e inovação. Nessa agenda, há uma grande conexão entre energia, água, alimento e ambientes.

Qualquer alteração é refletida nos outros compartimentos. Isso implica numa visão sistêmica e conectada entre a ciência básica, a ciência tecnológica e a possível emergência da inovação. A pobreza e a riqueza das nações estarão conectadas a esse sistema".

Na plenária foram lidas pela relatora Ima Vieira as conclusões extraídas da conferência promovida pela ABC em abril último, onde foram discutidos o estado da ciência brasileira e a sua institucionalização.

Fonte: Portal do Brasil