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DCI

Pesquisa avança e moderniza o tratamento do diabetes

Publicado em 25 março 2003

Por Fabiana Pio
O aumento significativo de vítimas de diabetes tem impulsionado empresas e instituições de pesquisa a investir milhões de dólares no desenvolvimento de produtos e novas técnicas de tratamento no Brasil. A Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Hospital Albert Einstein, realizou uma cirurgia inédita no País, que permite ao paciente produzir insulina sem precisar realizar o transplante do pâncreas, o que coloca o País no mesmo nível tecnológico de países como Canadá, Estados Unidos e também a Europa. Já a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Usina da Barra caminham para o desenvolvimento de um açúcar especial para diabéticos. E pesquisadores da Unicamp, como Juliana Leite, coordenados pelo professor Kil Jin Park, estão concluindo um novo processo para obtenção de inulina a partir da verdura chicória, substância que substitui o açúcar e gordura, com vantagem de ter baixa caloria. No Brasil existem cerca de 10 milhões de diabéticos. NOVA TÉCNICA A cirurgia realizada no Hospital Albert Einstein consistiu num implante das ilhotas pancreáticas, células do pâncreas responsáveis pela produção de hormônios e principalmente da insulina. Essas células correspondem em média de 1% a 2% do órgão de doadores humanos. Retiradas dos doadores, as ilhotas são implantadas no diabético. Não são colocadas no pâncreas, mas sim diretamente no fígado, o maior consumidor de insulina do corpo humano. Ali funcionam como um tipo de pâncreas artificial. O índice internacional de sucesso dessa operação tem sido de 85% após um ano de implante e 75% após dois anos, segundo a pesquisadora responsável Mari Sogayar, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). "Esse é o início de uma nova fase de pesquisas, que já duram cerca de nove anos. Pretendemos realizar mais 17 implantes nos próximos dois anos e meio", diz Mari Sogayar. "Esse tipo de cirurgia é indicado para pessoas com diabetes tipo 1, a mais grave. A paciente que realizou a cirurgia está muito bem, e será submetida a mais dois implantes. Por enquanto, ela ainda depende da insulina, mas em quantidade muito menor", acrescenta. A USP detém também parceria com a brasileira Biomm para o desenvolvimento de microcápsulas capazes de envolver as ilhotas pancreáticas, a fim de diminuir o índice de rejeição do implante. Até agora, já foram investidos cerca de US$ 500 mil, provenientes principalmente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Há ainda apoio da Finep. Segundo a pesquisadora, os recursos disponíveis são insuficientes. Os interessados em ajudar podem realizar doações na agência 1897-X, conta n° 5.670-7 da Universidade de São Paulo — Nucel. NEW SUGAR Segundo Glaucia Pastore, pesquisadora da Unicamp, a Usina da Barra, em parceria com a Universidade, investiu cerca de R$ 250 mil para o desenvolvimento de um açúcar inédito pré-biótico, isto é, feito de fibras, que traz inúmeros benefícios para a flora intestinal. De acordo com Salvador Ferrari, gerente de pesquisa da Usina da Barra, o new sugar já está sendo comercializado pela Corn Products Brasil, mas ainda não é voltado para os diabéticos, pois tem sacarose. "Pretendemos desenvolver o new sugar para diabéticos, mas para isso serão necessários alguns milhões de dólares em equipamentos e pesquisa", diz Ferrari.