Notícia

Tô Sabendo

Pesquisa avaliará impacto internacional na Amazônia

Publicado em 07 fevereiro 2011

O desmatamento na Floresta Amazônica está quase sempre associado ao desenvolvimento local e, para a comunidade internacional, trata-se de um problema causado por questões nacionais, como a ocupação do solo para fins diversos.

``Mas a Amazônia também se encontra na fronteira agrícola e parte da responsabilidade pelo desmatamento pode ser atribuída à crescente demanda da comunidade internacional por recursos naturais``, disse Joaquim José Martins Guilhoto, professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), à Agência FAPESP.

O pesquisador decidiu entender e mensurar o desmatamento devido à demanda global por produtos agrícolas brasileiros. O estudo se tornou tema de uma proposta aprovada em chamada realizada pela FAPESP em conjunto com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, cujo resultado foi divulgado em dezembro.

O projeto será conduzido por Guilhoto e por Karen Polenske, professora do Departamento de Planejamento e Estudos Urbanos do MIT, economista especializada em recursos naturais e energéticos, sobretudo dos Estados Unidos e da China.

Guilhoto acaba de voltar ao Brasil após passar um ano como professor visitante no Departamento de Planejamento e Estudos Urbanos do MIT. ``Durante esse período, desenvolvi com Karen e seu grupo estudos na área de economia regional, abordando questões ambientais no Brasil, Estados Unidos e China. Dessa interação surgiu a ideia de fazer um projeto para entender mais sobre o desmatamento na Amazônia``, contou o coordenador do Projeto Temático ``Mercados internacionais agrícolas, pobreza e desigualdade no Brasil``, apoiado pela FAPESP e concluído em 2010.

A nova pesquisa está em fase inicial - na formação da base de dados -, e a partir do próximo semestre três alunos orientados por Guilhoto irão a Boston para estagiar no MIT por duas semanas. Em seguida, outros três estudantes de pós-doutorado orientados por Karen virão ao Brasil por outras duas semanas para a troca de experiências com colegas da USP.

Esse intercâmbio marcará a segunda fase do projeto, quando serão analisados os dados coletados. Na USP, as pesquisas serão conduzidas em dois grupos do Departamento de Economia da FEA: no Núcleo de Economia Regional e Urbana e no Núcleo de Economia Socioambiental.

``Nesses grupos, temos bancos com dados econômicos, sociais e ambientais do Brasil que possibilitam fazer estudos e análises regionais e ambientais da economia do país. E é essa experiência que estamos levando para a pesquisa``, destacou Guilhoto.

Por outro lado, o professor ressalta que é necessário entender a dinâmica das economias de países mais desenvolvidos e também como esse fator externo afeta o desmatamento da Amazônia brasileira.

Demanda quantificada

Os estudos de Karen sobre ocupação do solo tiveram início em áreas urbanas na década de 1990. ``Estudamos como se dão as relações de produção, demanda de energia e uso de recursos naturais em países como os Estados Unidos e a China, que são grandes consumidores``, disse.

O grupo do MIT terá como missão fornecer um panorama do mercado internacional de recursos naturais, principalmente dos países que exercem pressão sobre recursos presentes na região amazônica.

``Pretendemos observar as mudanças da ocupação do solo em regiões rurais da Amazônia e, junto com estudantes de pós-doutorado do projeto, analisar as consequências energéticas, econômicas e ambientais desse processo``, disse Karen.

Segundo Guilhoto, com a troca de informação e conhecimento entre os pesquisadores brasileiros e norte-americanos, a pesquisa poderá quantificar o potencial de demanda global por produtos agrícolas e minerais na região que compreende nove Estados: Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins.

Apenas no Pará o grupo incluirá na conta o minério de ferro. O estado, um dos grandes responsáveis pelo desmatamento na Amazônia Legal, exporta uma quantidade expressiva de ferro e outros minérios.

Tanto Guilhoto quanto Karen veem na parceria entre os pesquisadores da USP e do MIT, permitida pelo projeto aprovado na chamada, uma excelente oportunidade para o avanço do conhecimento na área.

``Até há alguns anos, a maior parte de nossas pesquisas estava direcionada apenas para a China, grande consumidor de combustível fóssil, principalmente carvão. Com o apoio de diversas fontes, estamos conseguindo atuar mais no Brasil, que também é um grande consumidor de energia, mas focado em fontes renováveis``, disse a economista.

Por Mônica Pileggi

FAPESP