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FAPEAM - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas

Pesquisa avalia impactos dos extremos climáticos na Amazônia

Publicado em 15 junho 2015

Por Karina Toledo, da Agência FAPESP

Seca e cheia são fenômenos naturais na Amazônia, aos quais as comunidades ribeirinhas encontram-se bem adaptadas. Nos últimos anos, porém, esses eventos têm se tornado mais extremos, deixando moradores de locais remotos cada vez mais sujeitos à escassez de água, alimentos e sem acesso a transporte, serviços de saúde ou de ensino.

As conclusões são de um estudo conduzido por Patricia Pinho, professora visitante do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e associada da rede INCLINE de pesquisas interdisciplinares em mudanças climáticas.

Os dados foram apresentados, no mês de maio,  na Universidade da Califórnia (UC) em Davis, nos Estados Unidos.

“Nos últimos anos, a bacia amazônica experimentou um aumento na variabilidade interanual, principalmente no que se refere ao início e ao fim do período de chuvas. Tentamos mapear até que ponto as comunidades locais percebem esses eventos como extremos, quais são as respostas adaptativas que apresentam e os limites de adaptação”, contou Pinho.

O estudo teve como foco o município de Silves (AM), situado a 400 quilômetros de Manaus, e a Floresta Nacional do Tapajós (Flona), área de preservação localizada no estado do Pará.

Por meio de dados observacionais e entrevistas pessoais, Pinho avaliou como os moradores dessas localidades perceberam as secas extremas registradas nos anos de 1997, 2005 e 2010, bem como as enchentes severas de 2006, 2009 e 2015.

Fenômeno El Niño

De acordo com a pesquisadora, as secas de 1997 e 2010 estão relacionadas com o fenômeno conhecido como El Niño, caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical. Já em 2005 foram registradas anomalias de temperatura nas águas do Atlântico Tropical Norte.

As enchentes foram relacionadas em estudos anteriores com o fenômeno La Niña, que corresponde ao resfriamento das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental.

“O ponto é: os dois extremos estão se tornando mais frequentes na Amazônia. E as projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de outros grupos apontam para um aumento dos extremos hidrológicos na região”, afirmou Pinho.

Após analisar dados sobre o nível do rio Amazonas registrados em Manaus entre os anos de 1900 e 2010, Pinho concluiu que o recorde mínimo vem caindo nos últimos anos, assim como tem aumentado o recorde máximo – indicando aumento da variabilidade interanual nesse sistema fluvial.

Pinho também aponta a necessidade de pesquisas que ajudem a aperfeiçoar os modelos climáticos, tornando-os capazes de prever eventos extremos e permitindo a criação de um sistema de alerta precoce.

“A ciência ainda está incipiente e há muita incerteza sobre qual vai ser a resposta da Amazônia às mudanças climáticas. Temos um modelo global, que agora precisamos regionalizar, deixar numa escala mais fina e para isso precisamos aliar esses dados observacionais às pesquisas feitas em escala local”, disse.

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