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Pesquisa associa estresse às drogas

Publicado em 04 julho 2004

Por Tatiana Andrade repórter da Tribuna
Pessoas submetidas a situações de estresse são mais sensíveis aos efeitos de drogas e, por isso, podem desenvolver a dependência química mais facilmente. Essa foi uma das conclusões a que chegou a pesquisadora e professora de farmacologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, Cleópatra Planeta. O estudo intitulado "Exposição ao stress e conseqüências sobre os efeitos comportamentais e moléculas da cocaína" foi iniciado em 1998 e usou ratos adolescentes (entre 28 e 42 dias) e adultos como cobaias. O trabalho contou com a participação de alunos e colaboradores e tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Na clínica, há relatos de que o estresse é um dos fatores que levam ao uso da droga e que mantém o uso no indivíduo dependente. Então fomos para o laboratório para saber como é a interação entre estresse e cocaína", afirmou. A primeira etapa da pesquisa, segundo a professora, estudou o comportamento dos roedores depois que foram injetadas doses de cocaína nas cobaias. Os ratos submetidos a situações estressantes como a exposição a baixas temperaturas por 15 minutos, à claridade durante a noite ou imobilizados pelo período de uma hora, mostravam durante o experimento maior sensibilidade aos efeitos estimulantes da droga. A sensibilidade foi comprovada por meio de caixas de atividades munidas de sensores que captam todos os movimentos dos animais. Os animais que receberam a dose de cocaína depois de "estressados" se movimentaram em maior proporção do que aqueles que não foram submetidos a estresse e que receberam, também, a mesma dose da substância. Para a pesquisadora, "o estresse provoca alguma alteração no sistema nervoso central e essa modificação, de alguma forma, facilita o efeito estimulante da droga. É isso que vamos buscar na próxima etapa da pesquisa.". Também foi estudado o comportamento de roedores sobre o efeito de diferentes doses de nicotina. Neste caso, o comportamento das cobaias variou de acordo com a dosagem de nicotina aplicada, tendo em vista que a substância pode ser considerada estimulante ou depressora.