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Pesquisa aponta risco de salmonela em fruta

Publicado em 11 maio 2003

CAMPINAS - O armazenamento de alguns tipos de fruta por muito tempo em temperatura ambiente ou de até 10°Celsius e a falta de cuidados de higiene em sua manipulação podem provocar contaminação por bactérias normalmente encontradas em carnes e laticínios, como a salmonela. É o que revela a tese de doutorado da pesquisadora Ana Lúcia Penteado, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), defendida em março. O trabalho da pesquisadora teve financiamento da, Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A pesquisa trabalhou mamões, melões e melancias obtidos no Ceasa (Centrais de Abastecimento de Campinas S.A.) e em feiras livres da cidade. Segundo a pesquisadora, essas frutas contém pH (índice usado para medir acidez) maior que 4.5, o que facilitaria a proliferação de microorganismos como a Salmonella spp e a Listeria monocytogenes - que pode causar aborto em mulheres grávidas. O pH é considerado de baixa acidez -quanto maior o índice, menos ácida será a fruta, segundo a pesquisadora. "Se uma melancia que tem esse pH for cortada com uma faca que não foi bem lavada e que cortou uma carne, ela pode receber salmonela. E a salmonela cresce mesmo em temperaturas de 10° C. "Às vezes, nem em casa há esse tipo de refrigeração. E como ninguém ferve a fruta antes de comer, há um risco." Penteado afirmou que não encontrou listeria ou salmonela na superfície das frutas analisadas, embora tenha detectado um tipo de listeria não prejudicial à saúde em 75% delas. "O que eu comprovei é que há substrato adequado ao crescimento desses microorganismos, inoculando-os nas polpas. Na prática, eles podem entrar nas frutas quando elas são colocadas à venda em pedaços e são mal manipuladas", disse. A Ceasa informou, por meio de assessoria, que seus funcionários tomam cuidados de higiene na manipulação das frutas e as mantêm sempre refrigeradas até a distribuição aos feirantes. Frequentadores de feiras em Campinas, porém, afirmam temer que produtos vendidos à população não sejam frescos ou tenham sido manipulados em ambientes sem condições de higiene. "Imagino que as frutas tenham de ser sempre manuseadas com algum tipo de proteção, como luvas", disse o professor universitário Antonio Buainain.