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Pesquisa aponta redução dos manguezais no litoral sul de SP

Publicado em 27 outubro 2010

Pesquisa realizada com análise de imagens de satélite constatou uma diminuição das áreas ocupadas por manguezais na região de Iguape, no litoral sul paulista. O estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), constatou que algumas áreas têm sofrido intensa redução com a formação de grandes clareiras.

O litoral sul é a parte do Estado de São Paulo com as maiores áreas de mangue preservadas. Entretanto, a entrada de água doce pelo canal do Valo Grande está alterando a dinâmica do manguezal, explica a bióloga Marília Cunha Lignon, responsável pelo trabalho. "Espécies invasoras têm substituído os bosques de mangue", diz a especialista.

A fauna aquática também tem sofrido com a infiltração de água nessas regiões. "Essa água doce faz com que uma série de peixes de água salgada tenham morrido nessa região", relata a pesquisadora. Além disso, de acordo com Marília, a falta dos mangues é um fator que dificulta a reprodução de diversas espécies, tanto de invertebrados, quanto de peixes, que procriam nessas áreas.

O diretor da Divisão Municipal de Meio Ambiente de Iguape, André Shibud Gimenez, disse que já se verifica uma morte perene e constante dos manguezais e do plâncton em uma faixa de mais de 50 quilômetros. "Em Ilha Comprida, por exemplo, a comunidade caiçara de Juruvauva, que sobrevive da pesca e do cultivo de ostras, está em sérias dificuldades. O peixe se afastou e as ostras morreram por falta de salinidade", contou.

Para conter esse processo, a prefeitura defende a recomposição das comportas do Valo Grande. Marília Lingnon conta que o canal foi construído há cerca de 150 anos para facilitar o transporte do arroz que era produzido na região. Com o tempo, a força das águas alargou o canal dos quatro metros originais, para os 40 metros atuais.

O controle da vazão por meio das comportas, no entanto, pode trazer prejuízos às plantações de banana de algumas comunidades quilombolas, alerta Marília. "Não é uma questão fácil", ressalta.

Fonte: Agência Brasil