Notícia

A Tribuna (Santos, SP) online

Pesquisa aponta que computador sabota desempenho escolar

Publicado em 14 fevereiro 2008

Na hora de realizar tarefas escolares, o computador pode funcionar mais como inimigo do que como aliado dos alunos. É o que mostra um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e divulgado pela Agência Fapesp, segundo o qual o problema é ainda maior entre os mais jovens e aqueles de baixas classes sociais.

A pesquisa não explica o motivo dessas descobertas. "Só podemos especular os motivos. Para conhecê-los, será preciso que outros especialistas utilizem ferramentas diferentes para realizar estudos qualitativos. O importante é destacar que os resultados são coerentes com outros estudos internacionais", disse Jacques Wainer, do Instituto de Computação da Unicamp.

O especialista afirmou que existe uma posição favorável ao uso do computador nas escolas, pois a máquina está associada à melhoria no desempenho do aluno. No entanto, o que acontece é exatamente o contrário. Por isso, a pesquisa defende o melhor entendimento do impacto dos computadores nas notas dos alunos, antes de colocar em prática a distribuição de computadores nas instituições de ensino.

"Idéias como a de dar um laptop para cada criança parecem péssima opção, principalmente considerando que ele piora o desempenho escolar entre as crianças mais pobres. Corremos o risco de transformar a inclusão digital em uma exclusão educacional", afirmou Wainer. Ainda em 2008, o governo planeja distribuir 150 mil computadores portáteis em 300 escolas públicas brasileiras.


Levantamento

Para levantar os dados, a equipe utilizou informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2004 e também do Mapa de Exclusão Digital, publicado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro em 2003.

De acordo com a pesquisa, os estudantes da 4ª série de classe alta que raramente usam o PC para tarefas escolares tiveram 15 pontos a menos, em média, do que aqueles que nunca utilizam a máquina com esse fim. A diferença média de 15 pontos se apresentou tanto em português quanto em matemática.

Quando foram considerados os alunos de classes baixas da 4ª série, aqueles sem acesso ao computador tiveram 25 pontos a mais em português e 15 em matemática, na média, do que aqueles que usam o PC para tarefas escolares (mesmo que raramente). Os cenários foram semelhantes entre os alunos de 8ª série.

"O resultado mais importante, no entanto, surgiu quando os estudantes disseram sempre usar o computador. Entre esses, não importou a classe social ou disciplina, o desempenho foi sempre pior do que entre os que nunca usaram", disse Wainer, de acordo com a Agência Fapesp. As informações são do G1, da Globo.