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Diário do Nordeste online

Pesquisa aponta presença de salmonela mais invasiva no Brasil

Publicado em 22 março 2017

Uma pesquisa publicada na última edição da revista “Infection, Genetics and Evolution” revela a presença de um subtipo mais invasivo e mais patogênico de salmonela no Brasil. Até hoje, o ST313, como é chamado, havia sido registrado quase exclusivamente na África Subsaariana.

Ao contrário de outros subtipos de Salmonella enterica sorovariedade Typhimirium, que provocam gastroenterite, com febre, náuseas, vômito e diarreia, essa variação da bactéria consegue quebrar a barreira gastrointestinal e cair na corrente sanguínea, provocando infecção. Estudos anteriores com pacientes africanos apontam que a taxa de mortalidade com o ST313 é de mais de 25%.

Circulação silenciosa

O artigo publicado, intitulado “Multilocus Sequence Typing of Salmonella Typhimurium reveals the presence of the highly invasive ST313 in Brazil”, aponta a presença do ST313 em nove das 88 amostras analisadas.

Foram estudadas amostras isoladas entre 1983 e 2013, provenientes de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Goiás, Paraná e Bahia, e todas com a presença do ST313 são de São Paulo, retiradas de fezes humanas, salsicha de porco crua, alface e sangue.

Equipe

A pesquisa surgiu da tese de doutorado defendida por Fernanda Almeida na USP de Ribeirão Preto em 2016 e cada grupo de cientistas ficou responsável por uma área. A equipe coordenada pela professora Juliana Pfrimer Falcão reuniu, identificou e tipou molecularmente as amostras, além de estudar o viés epidemiológico das linhagens.

Já o doutorando Patrick da Silva pesquisou a patogenicidade das bactérias, os mecanismos pelos quais elas provocam doenças. “Fizemos o ensaio de invasão, para avaliar o processo de invasão em células epiteliais, e o ensaio de sobrevivência em macrófago, para verificar como ela consegue se defender”, explica Patrick.

Próximos passos

Os pesquisadores querem agora fazer estudos em camundongos para entender melhor os mecanismos do ST313 no organismo e tentam novos aportes junto às agências de fomento para dar continuidade à pesquisa, financiada na primeira etapa pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e FDA.

Eles também esperam que a descoberta sirva de aviso para as autoridades competentes e leve à comunicação obrigatória de casos de contaminação por Salmonella no Brasil, como já ocorre em países como os Estados Unidos.