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Pesquisa aponta maior uso de drogas entre alunos ricos

Publicado em 27 abril 2006

Estudo com 926 alunos da área de ciências biológicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), nos anos 2000 e 2001, identificou ser comum entre estudantes universitários o consumo de substâncias psicoativas, havendo maior penetração entre alunos com renda familiar mais elevada (acima de 40 salários mínimos) e que não praticam nenhum credo religioso.
Entre os alunos que se declararam adeptos de alguma religião, 83,1% consumiram álcool, 20,7%, tabaco, e 24,6%, drogas ilícitas. No grupo dos agnósticos, as cifras obtidas foram 89,3% para álcool, 27,7% para tabaco e 37,7% para drogas ilícitas.
Enquanto o consumo de álcool entre alunos de famílias ricas atingiu 92,2% e de drogas ilícitas 39,2%, na base da pirâmide social a situação é diferente. Estudantes criados em famílias com renda mensal inferior a dez salários mínimos consumiram menos álcool (75,2%) e drogas ilícitas (16,7%).
"Esses dados vêm quebrar o mito de que a droga só é consumida entre populações de baixa renda", explica André Malbergier, coordenador do estudo. "Quando pegamos um grupo mais seleto, formado por universitários, percebemos que a droga não distingue classes sociais", explica. "Parece óbvio, mas quem tem dinheiro compra mais e isso facilita o acesso dos mais ricos a qualquer tipo de entorpecente."
Foi verificado ainda que esses usuários faltam mais às aulas, gerando prejuízos que vão desde a menor dedicação ao estudo (inclusive fora dos períodos de aula) até a reprovação. Os alunos que admitiram usar álcool e drogas também costumam ir menos à biblioteca.
Agência FAPESP