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Pesquisa analisa gravações feitas sob o olhar das crianças

Publicado em 22 julho 2014

RIO CLARO - Pesquisadores do Instituto de Biociências de Rio Claro da Unesp têm utilizado fotos e vídeos produzidos por crianças para propor novas reflexões sobre o desenvolvimento infantil. O resultado pode ser conferido no curta-metragem "O que pode a imagem?", que apresenta análises sobre os registros.

A iniciativa fez parte da pesquisa "Infância, pesquisa e experiência: reflexões e olhares para o desenvolvimento infantil a partir de produções imagéticas de professores e crianças", coordenada por César Donizetti Leite, professor adjunto da Unesp, com apoio da Fapesp. O trabalho foi realizado em uma creche pública de Rio Claro.

As visitas à creche ocorreram uma vez por semana, com duração média de 2 horas, ao longo de sete meses do ano letivo de 2012. As 45 crianças envolvidas produziram mais de 3.500 fotos digitais e 10 horas de filmagens.

Foram oferecidos a meninos e meninas de um a três anos de idade equipamentos de gravação digital: câmeras fotográficas e de vídeo e tablets. Houve o envolvimento dos professores, mas sem qualquer orientação que pudesse influenciar a espontaneidade do manuseio.

O objetivo, de acordo com Leite, foi descobrir novas percepções sobre o universo infantil por meio do registro espontâneo feito pelas crianças. "A maneira como as gravações foram feitas possibilitou reflexões importantes sobre os modos como o corpo e a memória criam e orientam sentidos", disse.

"As imagens produzidas abrem uma perspectiva de olhar, do ponto de vista da criança, detalhes nunca percebidos, como botões de camisas, a sujeira no nariz, a baba, além de minúcias dos movimentos, com os olhares rápidos, desfocados, os cortes bruscos e as pausas longas", disse Leite.

A pesquisa analisou a percepção dos professores sobre os vídeos. Para Leite, há uma "ditadura dos sentidos e da cognição" que as gravações desafiam. "Para os adultos, todas as imagens, por mais borradas, por mais vertiginosas que sejam, precisam dizer algo", disse.

Segundo o pesquisador, os professores tendem a associar as imagens produzidas com maior nitidez ou clareza, mesmo que causalmente, às crianças tidas por eles como mais inteligentes, assim como os registros mais caóticos foram atribuídos às que apresentam maior dificuldade no universo escolar.

Agências