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Pesquisa alterou projeto da Globo

Publicado em 13 novembro 2006

Na área de Humanas, uma das pesquisas desenvolvidas na UMC ganhou repercussão nacional. O trabalho começou com um estudo sobre o programa Amigos da Escola — Todos pela Educação, lançado em 1999 pela Rede Globo em parceria com empresas, entidades sociais e a Secretaria de Turismo da Bahia. Após um rigoroso estudo de um ano, os pesquisadores concluíram que havia falhas na propaganda da TV. A partir disso, eles sugeriram mudanças que foram aceitas e contribuíram para a reformulação do programa.
Os pesquisadores ouviram a opinião de educadores, diretores de escola, teóricos e dos sindicatos que representam os professores, além da opinião de dez membros da Diretoria de Ensino de Mogi das Cruzes. O programa Amigos da Escola, por meio de uma propaganda, chamava voluntários de qualquer área profissional para desenvolverem atividades dentro da escola.
Uma das conclusões do grupo foi que o lado acadêmico era crítico com relação ao programa, já que, para eles, a escola não é lugar de caridade, mas um espaço da dignidade humana, um direito do cidadão e, além disso, o voluntário não pode substituir o professor. Ao mesmo tempo, quem atuava diretamente com os voluntários (os diretores das escolas) aprovava a iniciativa: "Para eles, no desespero da rotina com salários baixos, falta de professores e outros, qualquer pessoa que fosse ajudar na escola era bem-vinda", explicou o coordenador do Núcleo de Ciências Sociais Aplicadas, o professor Adolfo Ignácio Caldeiron.
Os estudos, financiados pela Fapesp, resultaram num livro chamado "Amigos da Escola: Desafios à Gestão Educacional", publicado no ano passado. Após a publicação do livro, a pesquisa foi levada para o diretor de Planejamento e Projetos Sociais da Central Globo de Comunicação, Albert Alcouloumbre Júnior. Devido ao conteúdo e credibilidade da pesquisa, a emissora reviu o programa e o reestruturou.
No início, a mensagem transmitida pela mídia dizia que qualquer pessoa podia ser um voluntário. Desde novembro de 2005, na nova campanha, a mensagem passou a ser outra, mostrando para o telespectador a importância do professor e o verdadeiro papel que os voluntários iriam assumir. O próximo passo é avaliar como as lideranças sindicais avaliam as modificações feitas no programa. Cerca de outras 30 pesquisas, em diferentes áreas de conhecimento, também estão em andamento no núcleo.