Notícia

O Diário (Mogi das Cruzes)

Pesquisa aborda disseminação de doença

Publicado em 07 abril 2009

O ser humano teve e tem grande participação na disseminação de doenças transmitidas por insetos, de acordo com avaliação genética feita por pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes. O levantamento foi realizado em diversas cidades no eixo da Rodovia Presidente Dutra, de Arujá a Lorena, além de Mogi das Cruzes e Ferraz de Vasconcelos.

De acordo com o especialista Dr. Douglas Mascara, professor da UMC, outro dado é alarmante: “constatamos que existe uma rápida dispersão de espécies potencialmente transmissoras da Dengue e de algumas encefalites humanas, como a de Saint Louis e do Rocio.”

Importantes focos da presença desses insetos foram encontrados principalmente em mecânicas e pontos de carga de caminhões que cruzam o país para o transporte de mercadorias. Na opinião de Mascara a fiscalização nesses locais, assim como em aeroportos e portos, deveria ser mais intensificada pelos órgãos públicos. Outra ação preventiva que poderia ter bons resultados é o monitoramento da saúde dos motoristas.

O projeto, financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e pela Faep (Fundação de Amparo ao Ensino e Pesquisa), foi realizado com o objetivo de monitorar a população genética do mosquito Aedes albopictus (um coirmão do Aedes aegypti), importante vetor da Dengue na Ásia.

“Concentramos-nos no Aedes albopictus por causa dos hábitos similares a vários outros insetos e pelo fato de ele ter sido introduzido recentemente no país. No Brasil, ainda não existem evidências de que ele possa estar relacionado à transmissão da Dengue, já que não foram descobertos adultos, nem larvas desta espécie associados à infecção”, explicou o especialista. Esse inseto foi encontrado no país, pela primeira vez, há cerca de 20 anos. Atualmente, sua presença foi registrada em mais de 1.300 municípios de 17 estados, identificada durante o trabalho de prevenção do Aedes aegypti.

A pesquisa, já concluída, foi enviada recentemente para publicação em revista especializada. Todas as prefeituras das cidades avaliadas receberão um relatório com os principais dados e conclusões. Durante os dois anos de estudos, participaram do projeto os alunos Eliane Batista, Rodrigo de Souza e Eurípedes Sousa Filho, do curso de Ciências Biológicas.

Condomínios

Outra pesquisa realizada no Laboratório de Genética Aplicada a Hospedeiros e Simbiontes da UMC é a de identificação do risco de se morar próximo à mata. A conclusão dos pesquisadores é de que muitas das doenças de sintomatologia súbita, causadas por uma grande variedade de vírus exóticos, podem estar relacionadas à presença de mosquitos silvestres em áreas de moradia muito próximas a reservas de Mata Atlântica.

Foram coletadas dezenas de espécies nos principais condomínios da cidade e em áreas invadidas durante dois anos. No momento, o projeto está em fase de sequenciamento de genes dessas espécies, para saber se entre elas existem espécies não relatadas na área. Esta etapa deverá ser finalizada ainda este ano.