Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Peso volta depois de cirurgia

Publicado em 08 agosto 2005

Os números são preocupantes. De uma amostra de 53 pacientes submetidos à cirurgia de redução de estômago, 58% ganharam mais de 10 quilos em um período de cinco a nove anos após a operação. Além disso, 39% engordaram mais de 20 quilos e 13% mais de 30 quilos no mesmo período. Os resultados são de um estudo multidisciplinar realizado por médicos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Somente 7,8% dos pacientes conseguiram manter o peso ideal.
"Ganhar 10 quilos é considerado normal porque o paciente precisa recuperar massa corpórea perdida durante o processo de emagrecimento. Mas ganhar 30 quilos é considerado um retorno à obesidade mórbida", diz Marlene Monteiro da Silva, psicóloga da FMUSP e uma das autoras do estudo.
O estudo confirma que a cirurgia é apenas o início do tratamento contra a obesidade. Para atingir o sucesso desejado, os médicos recomendam que no pós-operatório os pacientes passem por um trabalho de reeducação alimentar. Deve ser feito ainda um acompanhamento nutricional, endocrinológico e psicológico.
A pesquisa apontou que a cirurgia de redução do estômago pode ocasionar, anos mais tarde, alguns distúrbios odontológicos também. "Houve uma prevalência significativa de quebra de dentes e de aumento de cáries. Mais de 80% dos pacientes apresentaram alguma alteração dentária", explica a pesquisadora. Segundo ela, as relações entre os problemas bucais e a redução do estômago ainda precisam ser mais bem investigadas.
Substituição
Marlene alerta ainda para uma conseqüência preocupante da cirurgia: a substituição do ato compulsivo. A pessoa come menos porque o estômago não admite maior volume de alimento. E, em alguns casos, os pacientes podem substituir a vontade de comer pela bebida. "Eles passam a aproveitar o benefício social do emagrecimento como incentivo à ingestão excessiva de bebidas alcóolicas", acredita Marlene. Casos de alcoolismo foram observados em 18% dos 53 pacientes analisados.
A pesquisa não está concluída e os resultados apresentados são preliminares, reforçam os autores do estudo. Em uma nova fase, os pesquisadores agora trabalham com uma amostra maior de pacientes, considerando a integridade da cirurgia e os dados estatísticos sobre as questões orgânicas de cada indivíduo. (Agência Fapesp)