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Perto de completar 110 anos, IPT moderniza instalações

Publicado em 02 outubro 2008

Por Paulo Henrique Andrade, da Agência Imprensa Oficial

Ao se aproximar do seu 110º aniversário, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento, se prepara para um salto em termos de crescimento e modernização de suas atividades. Para isso, receberá, até 2010, recursos estimados de R$ 150 milhões, a maior parte proveniente do governo estadual e o restante de dotações resultantes de projetos com outras instituições, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O diretor-presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira, que acaba de se tornar membro efetivo da Academia Internacional de Engenharia de Produção, explica que a modernização já é planejada e vem sendo realizada desde o ano passado. Em 2008, porém, houve uma ação mais forte nesse sentido do governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento.

O projeto de modernização abrange sete grandes laboratórios e os centros de simulação numérica e realidade virtual, e de ensaios de estruturas, que deverão ficar prontos em 2009. Esse projeto está estruturado sobre quatro princípios: promoção da pesquisa para a inovação no IPT, estímulo às estruturas de pesquisa e desenvolvimento nas empresas, expansão e fortalecimento das atuais áreas de atuação do instituto e implantação de novas áreas, além da ampliação da presença regional da instituição.

Uma das metas do IPT é seguir atendendo às demandas tecnológicas das empresas, mas fortalecendo a pesquisa pré-competitiva. Isso significa trabalhar com capacidade própria no desenvolvimento tecnológico para, depois, negociar com a indústria, em vez de partir apenas de demandas específicas dela.

A intenção da instituição é, também, fortalecer os setores nos quais já atua, como Engenharia Naval, Química e Bionergia. No caso específico de Engenharia Naval, a meta é instalar um laboratório de protótipos, que reduzirá em 10 vezes o tempo de fabricação de modelos para testes de embarcações. Em Piracicaba, será criado um laboratório de gaseificação de biomassa. Com a unidade, o instituto fortalecerá também o setor de bionergia.

Novos recursos

O projeto de modernização objetiva ainda a atuação do instituto em novas áreas. O laboratório de pesquisas em estruturas leves, a ser implementado em São José dos Campos, é um exemplo. Com o apoio do BNDES e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e em parceria com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Embraer e Fapesp, pretende-se desenvolver novos conceitos de fabricação e testes de estruturas leves para várias aplicações. Outro exemplo é o Centro de Bionanotecnologia, que deve promover, de forma integrada, as pesquisas sobre nanotecnologia e biotecnologia do instituto.

De acordo com Oliveira, o IPT deve ampliar as capacitações laboratoriais e de recursos humanos, além de oferecer respostas mais rápidas e precisas às atuais demandas das empresas. A modernização prevê a readequação da gestão de recursos humanos. A idéia é enviar pesquisadores ao exterior, de forma a desenvolver uma cultura de pesquisa internacional. O sistema de avaliação de desempenho também passará por renovação. Além disso, o instituto vai contratar 278 pessoas, por meio de concurso, entre pesquisadores, técnicos e engenheiros.

O processo de modernização envolve investimentos, compras e importações. Parte dos recursos já está sendo aplicada. As importações necessárias para a infra-estrutura dos novos laboratórios foram iniciadas, e os equipamentos já estão chegando. A expectativa é que, no primeiro semestre de 2009, sejam inaugurados os laboratórios de apoio às indústrias, como o de produção de protótipos navais, o centro de microscopia eletrônica, o laboratório de simulação numérica e realidade virtual, que têm investimentos do governo estadual, Ministério da Ciência e Tecnologia e Petrobras. O laboratório de simulação numérica, por exemplo, é pioneiro, com sofisticado sistema computacional, cujo objetivo principal é simular o comportamento dinâmico de estruturas flutuantes, como as plataformas marítimas de petróleo. Já o centro de bionanotecnologia está previsto para o final de 2009.

Presente em etapas históricas

O IPT nasceu no fim do século 19, e nunca parou de crescer. No início do século 20, deu sua contribuição para a construção de estradas de ferro. Esteve presente também na construção das principais hidrelétricas do País, como Paulo Afonso e Ilha Solteira (anos 50), e do Metrô de São Paulo (anos 70).

Localizado na Cidade Universitária, tem laboratórios em Guarulhos e Franca. Suas instalações se distribuem, atualmente, por 67 prédios, ocupando mais de 96 mil metros quadrados, onde funcionam 13 centros, 30 laboratórios e dez seções técnicas. Com o projeto de modernização, ganhará mais sete laboratórios.

Atualmente, o IPT tem cerca de 500 pesquisadores e mais de 400 técnicos. Atua nas áreas de engenharia civil, metalurgia, madeiras, mecânica e eletricidade industrial, engenharia naval e oceânica, transportes, química, geologia, couros e calçados, biotecnologia, tecnologia ambiental, normalização e qualidade industrial, informação tecnológica, informática, educação de nível superior e treinamento.

O instituto tem mais de 400 projetos de P&D em andamento. A maioria está relacionada às demandas dos setores empresariais público e privado. Alguns, segundo o diretor-presidente, muito importantes, como as pesquisas sobre as propriedades de fluência de rochas salinas, fundamental para a exploração de petróleo na Bacia de Santos, ou o desenvolvimento de processos biotecnológicos para a produção de plásticos biodegradáveis, já patenteados.