Notícia

Agência C&T (MCTI)

Persistência que resulta em vitória

Publicado em 11 janeiro 2008

Foi o interesse pelos conteúdos abordados pela Biologia, assim como, por poder acompanhar, de perto, as atividades do pai, então professor universitário, e de vários outros docentes da Medicina, que Rodrigo Jorge acalentou a possibilidade de vir a ser um médico também. Graduado, ministrando aulas e auxiliando na coordenação do atendimento de mais de 800 consultas e 100 procedimentos cirúrgicos por mês, no Setor de Retina e Vítreo, do HCFMRP-USP, a possibilidade de fazer pesquisa lhe permitiu investigar novos tratamentos, assim como, técnicas capazes de melhor viabilizar a rotina da assistência e do ensino médico.

De suas viagens ao exterior, ocasionadas pela pesquisa, Jorge se recorda, com satisfação, de tudo o que aprendeu ao assistir muitos dos 5 mil trabalhos científicos, apresentados no Congresso em que participou. O que lhe representou, sem dúvida, uma de suas mais importantes atualizações profissionais. Refletindo sobre o andamento de suas pesquisas, Jorge acha que as pesquisas na área de Retina estão conseguindo melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Em 2006, por exemplo, em um estudo desenvolvido conjuntamente com o Prof. Jose Antonio Apparecido de Oliveira, da FFCLRP, Jorge afirma ter conseguido determinar a forma mais confortável e menos dolorosa de se aplicar injeções dentro do olho. Em outras palavras, atualmente, o paciente do HCFMRP-USP sofre menos para receber medicamentos dentro do olho. Medicamentos estes que servem para tratar doenças como a Retinopatia Diabética e a Degeneração Macular Relacionada à Idade. Além disso, Jorge afirma também estar iniciando estudos com células-tronco, auxiliado pelo Prof. Júlio Voltarelli, renomado especialista no assunto, os quais, futuramente, poderão resultar numa terapia alternativa e importante para o tratamento das doenças degenerativas da retina.

Enquanto cidadão, Jorge entende que as dificuldades sociais atuais, enfrentadas pelo Brasil, decorrem, basicamente, da falta de educação. Povo educado tem mais chance de emprego e pode ajudar muito mais o país a crescer. Quanto ao contexto da pesquisa nacional entende estar o mesmo bem orientado. Acredita que a pesquisa precisa ter objetivos práticos, os quais possam ser revertidos em benefício da sociedade. E a parceria do médico com o pesquisador básico, como o biólogo, o químico e o farmacêutico é que, em sua opinião, garante que isso ocorra. Quanto aos aspectos econômicos, Jorge acha que falta incentivo empresarial para a pesquisa no Brasil. A maioria das empresas multinacionais investe em pesquisa na sede de seus países de origem e deixam que o fomento à pesquisa, no Brasil, se restrinja aos auxílios concedidos pela FAPESP e pelo CNPq. Sob seu ponto de vista, Jorge entende que as multinacionais deveriam ter que destinar, obrigatoriamente, parte dos seus lucros para o desenvolvimento de Projetos de Pesquisa junto as Universidades brasileiras. Aqui se lucra, aqui se investe.

Apreciando, nas horas de folga, ficar em casa com a família e reler livros básicos de Retina, Jorge não dispensa reuniões gastronômicas e uma boa partida de futebol com os amigos. Seu é o seguinte incentivo à futura geração de pesquisadores:

Não desistam de seus sonhos, pois, quando os resultados começarem a aparecer, todo o sacrifício é recompensado.

Extraído do livro Cientistas de Ribeirão Preto - Vol. 1 (Funpec-RP, 2007)