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Paraná

Persevejos afetam qualidade de sementes de soja

Publicado em 02 dezembro 2011

A soja constitui-se na fonte de proteína mais consumida mundialmente, sendo o Brasil o segundo maior produtor mundial dessa leguminosa. De acordo com dados publicados pelo CONAB (2011), na safra 2010/2011, a produção brasileira foi de 72 milhões de toneladas, em uma área cultivada de 24 milhões de hectares. Além disso, a soja é responsável por, aproximadamente, 25% das exportações brasileiras, representando importante fonte de capital para o país.

Nas diversas regiões produtoras de soja do país, os percevejos constituem os principais grupos de insetos-praga que normalmente causam prejuízos econômicos às lavouras. As espécies de percevejos mais abundantes são Nezara viridula (L.), Piezodorus guildinii (West.) e Euschistus heros (F.) (Heteroptera: Pentatomidae), constituindo o complexo de percevejos da soja. Por se alimentarem diretamente dos grãos, os percevejos causam problemas sérios, afetando o rendimento e a qualidade das sementes de soja.

A obtenção de cultivares agronomicamente competitivas e resistentes ao complexo de percevejos é alvo de programas de melhoramento genético no Brasil, entretanto esses programas não têm apresentado sucesso pelo fato da resistência aos percevejos apresentar controle poligênico. Com a intenção de aprimorar o conhecimento do controle genético da resistência a percevejos, a agrônoma Michelle da Fonseca Santos e a bióloga Milene Möller estão desenvolvendo, no programa de Pós-graduação em Genética e Melhoramento de Plantas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), um trabalho mundialmente inédito visando o mapeamento de genes/QTLs associados à resistência da soja ao complexo de percevejos sugadores das vagens, concomitantemente a análise de expressão gênica. "A resistência de plantas é uma tática de controle de insetos-praga desejável, entretanto as cultivares de soja resistentes a insetos recomendadas para o cultivo, no Brasil, são adaptadas somente à região Sudeste", comenta Michelle. Desta forma, este trabalho irá beneficiar os melhoristas de soja na obtenção de cultivares resistentes ao complexo de percevejos, contribuindo para o aumento na produtividade da cultura.

Com orientação do professor José Baldin Pinheiro, do Departamento de Genética (LGN), o projeto recebe financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em parceria com a Fulbright (CAPES/Fulbright). Na Estação Experimental do LGN, localizada no município de Anhembi (SP), a população de mapeamento foi avaliada quanto a reação aos insetos em condições de infestação natural. Posteriormente, a mesma foi genotipada no Laboratório de Diversidade Genética e Melhoramento de Plantas, usando marcadores TRAP, AFLP e SSR.

As pesquisadoras estão desenvolvendo o doutorado sanduíche nos Estados Unidos, na Universidade de Illinois, com o auxílio concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e CAPES/Fulbright, respectivamente. Na USDA (United Stated Department of Agriculture), em Beltsville, Maryland, as pesquisadoras contaram com a colaboração dos cientistas Perry Cregan e David Haten para a genotipagem com marcadores SNPs. As análises de mapeamento estão sendo realizadas em colaboração com o laboratório coordenado por Brian Diers, na Universidade de Illinois, localizada em Urbana/Champaing, Illinois. Os trabalhos de expressão gênica com Microarray e RNAseq estão sendo realizados em parceria com os laboratórios de Steve Clough, na Universidade de Illinois e Clint Allen, na USDA, em Stoneville, Mississippi.