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Gazeta Mercantil

PERITO DA UNICAMP VAI ACOMPANHAR INQUÉRITO

Publicado em 27 junho 1996

Por POR MARIÂNGELA GALLUCCI DE BRASNIA
Numa conversa por telefone, ontem pela manhã, entre o ministro da Justiça, Nelson Jobim e o governador de Alagoas, Divaldo Suruagy, ficou decidido o envio à Maceió do renomado médico legista Fortunato Badan Palhares e de equipe da Polícia Federal para acompanhar as investigações sobre a morte de Paulo César Cavalcante Farias. A ligação partiu de Jobim após ver fotos do local do crime e dos corpos trazidas de Maceió pelo diretor da PF, Vicente Chelotti. "O ministro perguntou ao governador se estava tudo bem e lhe fez as duas sugestões: o envio do legista e da equipe da PF, a mesma que atuou no caso da bomba no Itamaraty, com seis integrantes", afirmou Chelotti. Jobim fez questão de frisar que se trata de uma colaboração do governo federal e não de uma "intervenção branca". Segundo o diretor da PF, o médico Palhares que é da Universidade de Campinas (Unicamp), poderá pedir a exumação dos corpos, se julgar necessário, e a devolução das vísceras de PC e sua namorada, Suzana Marcolino, para reexame. "Ele que vai decidir", disse, acrescentando que a exumação só poderá ocorrer com autorização da Justiça. Já a PF poderá fazer investigações em outros estados e também no exterior, por meio da Interpol. Chelotti criticou as denúncias do coronel-médico alagoano George Samuel Sanguinetti, que acusou a polícia de fazer sensacionalismo sem provas. "Cada um tem a vontade de ter o seu momento de fama. Ele não poderia ter feito aquela declaração. O laudo não está concluído e ele não participou." O diretor da PF também criticou o delegado responsável pelas investigações, Cícero Torres. "Eu acho que foi precipitação divulgar o crime como passional. O quadro se apresenta como crime passional, mas isso não é questão fechada", afirmou. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, disse ontem que, quando provas são ocultadas, é necessário que se abra processo criminal contra os responsáveis. Sobre a destruição de provas, como queima de colchão e lençol, Chelotti considerou o procedimento "normal". "Eu estive na casa, por volta das três horas da tarde de ontem (terça-feira) e encontrei três peritos da polícia técnica fazendo o levantamento do local. Depois de feito o levantamento técnico, para que guardar um lençol sujo de sangue? Corta-se o pedaço que está manchado e joga-se fora o resto", disse o diretor da PF. Segundo Chelotti, mais relevante do que saber que a arma era da Polícia Militar, é descobrir como ela chegou no local do crime.