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Jornal de Piracicaba online

Periodontite antecipa parto

Publicado em 21 fevereiro 2006

Pesquisadora da FOP constata que a doença influencia na gravidez e diminui peso dos bebês

Gestantes com periodontite —— inflamação da gengiva que compromete o osso bucal em intensidade de moderada a grave —— têm problemas de parto prematuro e recém-nascidos de baixo peso. Das 334 grávidas analisadas pela cirurgiã-dentista, Marianna Vogt, 47%, ou seja, 156 apresentaram o problema. A tese de mestrado Doença Periodontal e Resultados Perinatais Adversos em uma Corte de Gestante foi defendida ontem, na FOP (Faculdade de Odontologia de Piracicaba) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Durante dois anos, a pesquisadora avaliou o desenvolvimento da doença e os fatores que acarretam o aparecimento da moléstia. Ela disse que no projeto foi levado em consideração a idade gestacional (17 a 24 semanas) da paciente e a faixa etária — que variou entre 25 a 29 anos.
De acordo com o orientador da tese, o professor Antônio Wilson Sallum, a doença periodontal apresenta duas características. A primeira é a gengivite —— inflamação da gengiva. Já a outra é periodontite —— inflamação que atinge os ossos. "Essa é mais séria, por isso, é importante que elas cuidem da saúde bucal", explicou.
Em sua tese, Marianna abordou os fatores que levaram as gestantes a desenvolver essa moléstia, que foram a idade, raça, escolaridade, estado civil, hábitos alimentares, número de consultas de pré-natal, uso de drogas ou bebidas, medicação e doenças.
Financiamento — Pesquisas como essa, desenvolvida por Marianna, têm o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O presidente da FAPESP, Carlos Vogt, pai de Marianna, disse que por ano a verba destinada para as pesquisas é de aproximadamente R$ 500 milhões.
São várias as modalidades de projeto e os valores (iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Esse ano, segundo Vogt, o órgão aumentou o número de bolsas e os valores pagos mensalmente. "Esse aumentos estimulam os pesquisadores no Estado", informou. Vogt explicou que os projetos são julgados de acordo com o mérito e com o tempo de duração.
"Temos empreendimentos que demoraram dois anos e outros que demandam 11 anos de pesquisa", declarou.