Notícia

A Tarde (BA)

Percepção pública da pesquisa científica

Publicado em 11 janeiro 2012

Por Roberto Figueira Santos

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) publicou, recentemente, mais uma edição dos "Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação" pertinentes àquela progressista unidade da Federação e referentes ao ano de 2.010. Levantamentos com idêntico propósito vêm sendo feitos pela Fapesp desde 1998.

Os dois alentados volumes recém-produzidos cobrem estudos sobre a educação básica e superior naquele Estado, apontam os recursos financeiros e humanos ocupados empesquisa e desenvolvimento, realizam a análise da produção científica a partir de publicações em periódicos especializados, .examinam a atividade de patenteamento no Brasil e no exterior, comentam o balanço de pagamentos tecnológico, se ocupam com a inovação no setor empresarial, estudam a dimensão regional dos esforços dessa natureza no Estado de São Paulo, medem a difusão e a caracterização das tecnologias da informação e da comunicação, destacam as atividades nos setores da agricultura e da saúde e chamam a atenção para a percepção do significado da ciência, da tecnologia e da inovação pela população do Estado de São Paulo. Depreende-se dos exaustivos levantamentos de informações o imenso esforço dos setores público e privado da população paulista no sentido de manter-se em dia com o que de melhor se tem alcançado no mundo, em matéria de desenvolvimento tecno-cientifico. Quero, entretanto, dar especial destaque ao último dos capitulas mencionados, aquele que' mede a percepção do povo de São Paulo quanto a esse desenvolvimento, tendo como base essencial o bem-estar e o conforto dos que vivem naquele Estado.

Como se refletiria, no nosso Estado da Bahia, um estudo com semelhante propósito? Sabemos que na história do Brasil Colônia a Bahia teve precedência na implantação de instituições educacionais, a exemplo dos Colégios dos Jesuítas (Salvador e Belém de Cachoeira), nos quais se formaram figuras exponenciais do mundo cultural da época. Também aqui na Bahia. como no Rio de Janeiro do século XVIII se instalaram academias que, embora tivessem vida curta, reuniram pessoas de destaque pelo seu nível cultural. Na nossa terra nasceu o ensino superior brasileiro, com a implantação da Escola de Cirurgia do Real Hospital Militar de Salvador (precursora da atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia).

A Bahia disputa com a cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, a primazia do ensino da agronomia em terras brasileiras, na metade do século XIX. Pela mesma época, teve inicio o curso de artes plásticas do pintor espanhol Canizares, precursor da Escola de Belas Artes da UFBA. Na década de 1950, iniciou-se na Bahia, pela sua Universidade Federal. o movimento que resultou na formação de artistas aplaudidos nas diferentes regiões do Pais. No tocante ao ensino e à pesquisa nos setores básicos do conhecimento (matemática, física, química, geociências, ciências sociais, filosofia), a Bahia se adiantou, entre as universidades federais, na implantação da estrutura atualizada, que ensejou grande estimulo à pós-graduação e à pesquisa. Recentemente, a Universidade Federal tem se ocupado com a expansão do seu corpo discente mediante a adoção de novos currículos voltados para a inclusão social e étnica.

Cabe então, indagar: que resultados colherá uma pesquisa sobre a percepção dos baianos, com todo esse passado de dedicação a instituições culturais, acerca do desenvolvimento cientifico e tecnológico como fator de progresso e de bem-estar da generalidade da nossa população, a exemplo dos estudos realizados pela Fapesp junto ao povo de São Paulo? Pesquisa assim igida em relação à população baiana deverá importar às nossas lideranças na escolha de diretrizes norteadoras do nosso futuro.

A recém-criada Academia de Ciências da Bahia, conjuntamente com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) poderão encarregar-se de iniciativa de idêntica natureza, dispondo, para isso, da competência de pessoal apto a dedicar-se a tema de tão grande relevância.

Roberto Figueira Santos é presidente da Academia de Ciências da Bahia.