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Percepção musical em crianças pode predizer dificuldades de aprendizagem

Publicado em 09 março 2017

Um teste capaz de medir o grau de percepção musical em crianças de 6 a 13 anos foi desenvolvido por um grupo que reúne cientistas brasileiros, canadenses, norte-americanos e britânicos. Os resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram divulgados em janeiro na revista Frontiers in Neuroscience.

“Nosso objetivo, no futuro, é tentar comprovar que essa ferramenta é eficaz para identificar crianças predispostas a apresentar dificuldades na aquisição da linguagem oral e escrita. Isso possibilitaria aos pais e professores realizar intervenções precoces”, contou Hugo Cogo Moreira, professor orientador da Pós-Graduação em Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do projeto.

Segundo o pesquisador, evidências da literatura científica sustentam a hipótese de que o grau de percepção musical da criança – isto é, a capacidade de perceber determinadas propriedades da música, como timbre, intensidade, melodia e ritmo – está correlacionado com sua habilidade para aprender a linguagem verbal, tanto oral como escrita.

“A música é uma forma de linguagem não verbal. E a linguagem verbal, por sua vez, tem componentes musicais. Envolve percepção de frequências diferentes de voz, entonação e padrão de métrica, entre outros fatores”, explicou Moreira.

A percepção musical, acrescentou o pesquisador, está diretamente ligada à consciência fonológica, que é a capacidade de segmentar o som das palavras nas suas menores partes – como nos exercícios que professores costumam fazer com crianças durante a alfabetização, nos quais se pede para manipular o som em sílabas (B + A = BA; C + A = CA; etc.).

“A consciência fonológica é uma habilidade básica que precede a leitura. Acredita-se em um efeito cascata: quanto maior a percepção musical, mais fácil seria perceber nuances nos sons e essa habilidade auxiliaria na apreensão de leitura de palavras isoladas. Logo, torna-se mais fácil desenvolver a leitura contextual, entender o que está escrito e isso impacta todo o desempenho acadêmico”, disse Moreira.

Na avaliação do pesquisador da Unifesp, a grande vantagem de usar a percepção musical como um preditor da habilidade de leitura e escrita é o fato de a percepção musical ser uma linguagem universal, que independe do idioma ou da cultura. A mesma metodologia, portanto, poderia ser aplicada em crianças de todo o mundo.

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