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Pequenas são as que mais investem em tecnologia

Publicado em 08 maio 2002

As pequenas empresas paulistas, com menos de 100 funcionários, são as que mais investem em pesquisa e desenvolvimento, proporcionalmente ao que faturam, em relação às grandes empresas. No entanto, as empresas de menor porte foram as que menos contribuíram para as novidades tecnológicas entre 1994 e 1996, segundo os indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo divulgados ontem pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). Nesse período, as micro e pequenas empresas (até 99 empregados) representaram 21,7% da taxa de inovação. Essa proporção mais que duplica para as empresas de porte médio, de 100 a 499 funcionários, para atingir 70% no grupo das grandes empresas industriais, com 500 empregados ou mais. Para Ruy Carvalho, coordenador do trabalho, isso ocorre porque as empresas de menor porte enfrentam principalmente dificuldades de acesso aos recursos financeiros, instituições de crédito e financiamentos. Segundo Carvalho, há necessidade de uma política industrial que favoreça as empresas de menor porte. Além disso, as grandes empresas necessitam estabelecer maior contato com seus fornecedores, oferecendo treinamento e acesso às novas tecnologias. "A Alemanha é o país da União Européia que mais se envolve com as pequenas e médias oferecendo apoio governamental e também das grandes empresas", diz o coordenador. COMPUTADORES Entre as empresas de menor porte pesquisadas, com menos de 100 pessoas, pouco mais da metade tem computadores, enquanto nas empresas de 100 ou mais empregados mais de 90% afirmam ter computadores. As grandes empresas apresentam a maior concentração de computadores, apesar de representarem 1,7% do total de empresas e 2,8% das que dispõem desses equipamentos, as empresas com mais de 500 ou mais empregados concentraram acima de 50% de todo o parque de computadores da indústria paulista, conclui. EXPORTAÇÃO Segundo a pesquisa, as empresas com maior desempenho inovador exportaram mais. Entre as inovadoras, as que exportaram registraram 78% do valor adicionado, enquanto entre as não-inovadoras, as que venderam para o mercado externo em 1996 responderam por cerca de 55,4% do valor adicionado. Isso representa que as empresas inovadoras são mais competitivas em relação às não-inovadoras, porque são responsáveis pelo lançamento de produtos e lambem por apresentar ganhos de eficiência na produção e distribuição de novos produtos. Fabiana Pio PESQUISAS GANHAM MAIS ESPAÇO NAS COMPANHIAS DE SÃO PAULO As empresas paulistas têm aumentado investimentos em pesquisa e desenvolvimento ao longo dos anos. Em 1993, o índice registrava 0,90%; já em 1998, o valor aproximava-se de 1,20%. As pequenas e médias empresas foram as que mais investiram nessa área, proporcionalmente ao que faturam, segundo os Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo, divulgados ontem pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Em 1993, as empresas com menos de 100 funcionários registraram um índice de 2,5%; já as grandes empresas, um valor inferior a 1,5%. Em 1998, as pequenas investiram pouco menos de 2,5% e as grandes, pouco acima de 1,5%. INCENTIVOS Segundo André Furtado, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), são necessárias políticas de incentivo às empresas de menor porte, 'mas o governo está caminhando para isso'. "A Fapesp, novos fundos de investimentos, incubadoras e a Lei de Inovação são algumas amostras de contribuição do governo para incentivar a pesquisa e desenvolvimento no País." PÓLOS TECNOLÓGICOS Segundo a pesquisa, a maioria das pequenas e médias empresas com alto poder tecnológico estão localizadas em cinco regiões do Estado, onde abrigam os reconhecidos pólos paulistas: a Região Metropolitana de São Paulo (14%), Campinas (16,9%), São José dos Campos (8,8%), São Carlos (12,5%) e também Ribeirão Preto (8,1%). Uma das incubadoras que merece destaque, segundo a pesquisa, é a Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), responsável em 'graduar' cerca de 19 empresas em 2001. Essas empresas faturam, ao todo, mais de R$ 18 milhões. Outros exemplos são as empresas nascidas no Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que registram uma receita de quase R$ 300 milhões anuais. Fabiana Pio