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Agência Dinheiro Vivo

Pequenas empresas de TI buscam internacionalização

Publicado em 31 maio 2007

Por Priscila Machado

Start-ups do setor se preparam para maior evento de tecnologia da área financeira do país de olho no mercado externo

Pequenas empresas da área de Tecnologia da Informação (TI) tentam superar falta de incentivo, buscando a internacionalização da sua marca e de seus produtos. Algumas delas estão se preparando para fazer parte de uma grande vitrine do setor, o Ciab Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), maior congresso de tecnologia voltado para a área financeira feito na América Latina. Com o tema "Mobilidade — Seu banco perto de você" o evento irá abordar aspectos tecnológicos no modelo de gestão dos bancos.


Como forma de incentivo às pequenas empresas que desenvolvem tecnologia nacional, a Febraban e o Instituto de Tecnologia de Software (ITS) realizarão o Espaço Inovação que será ocupado por 24 empresas start-ups com atuação no segmento de TI voltado para o setor financeiro, que terão a oportunidade de expor suas inovações para um público de alto nível, formado pelos principais executivos do segmento.


Segundo o diretor-setorial de Tecnologia da Febraban, Carlos Eduardo da Fonseca, a Federação irá promover a aproximação destas start-ups com empresas de "venture capital", facilitando o acesso a financiamentos de bases públicas e privadas. De acordo com o diretor executivo do ITS, Descartes de Souza Teixeira, participam da iniciativa empresas de pequeno porte, de capital nacional, com faturamento anual inferior a R$ 10 milhões. "Muitas delas estão prevendo um crescimento de 30% este ano", revela.

Uma das selecionadas para expor no Espaço Inovação é a Sima Consulting. A empresa já conseguiu atingir o mercado internacional operando negócios na Alemanha, Itália e Espanha, mas ainda encontra obstáculos para atuar no mercado interno. "As pequenas empresas não têm incentivo no país, mesmo tendo mais da metade dos nossos produtos aprovados pela Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo — não conseguimos levá-los ao mercado, a não ser em pequenos nichos", afirma o presidente da empresa, Arnaldo Sima.
A companhia apresentará durante o congresso uma tecnologia na qual o usuário paga suas compras conectando-se via celular ou outro dispositivo móvel, com sua operadora de crédito ou banco e informa seu código, o código do estabelecimento e o valor da operação, possibilitando fazer compras sem a utilização do caixa. Segundo Sima esse sistema está em fase de teste em uma grande rede de supermercados espanhola e deve ser colocado no mercado ainda em 2007.


O presidente da Sima conta que aguarda o financiamento da Fapesp para o projeto há dois anos, e que conseguiu recursos mais rapidamente com a venda externa do sistema. "O momento é propício à internacionalização das empresas brasileiras, elas deveriam olhar o mercado global como o mercado delas", avali. Sima ainda afirma que até 2010 espera que a metade do faturamento da sua empresa venha de fora do Brasil.


Outras companhias ainda estão no meio do processo e buscam parcerias para alcançar o mercado internacional. É o caso da THCS, empresa que tem como clientes o Unibanco e a Nossa Caixa, e agora está negociando com a IBM a venda de produtos para a área de auditoria e conectividade de interação. "Pode ser a chance da nossa empresa se internacionalizar", diz o diretor técnico da THCS, César Hyssa Luiz.


A SCA, empresa que oferece sistemas para a gestão de finanças, também tenta emplacar seus projetos em outros mercados. No Brasil a empresa oferece a seus clientes, como o Safra, Porto Seguro e TAM, soluções para contabilidade e controladoria que permite substituir o excel otimizando o tempo, mas ainda não conseguiu introduzir o sistema fora do Brasil. "No ano que vem vamos lançar o programa em outros idiomas. Nosso plano para 2008 é explorar o mercado internacional", afirma o presidente da SCA, Antonio Coló.


O empresário reclama do fato de que no Brasil os fundos de investimento não aplicam recursos em empresas de pequeno porte. "Há uma resistência do mercado, é uma questão cultural. As estatais poderiam ter uma abertura maior para fornecedores de porte menor", avalia.


Já o diretor regional da Neurotech, Cláudio Sadeck, acredita o Brasil é um grande mercado a ser explorado. "O mercado brasileiro, para o nosso segmento de atuação, é amplo e a expansão de crédito deve aumentar o volume de negócios no setor", avalia. A Neurotech é especializada em soluções de análise de risco com ênfase na oferta de crédito. O único cliente internacional da empresa é o Banco Mundial.