Notícia

Gazeta Mercantil

Pentágono investirá em tecnologia

Publicado em 20 maio 1997

Por Financial Times
O secretário da Defesa dos EUA, William Cohen, pediu ontem ao Congresso que aceite uma redução dolorosa do ponto de vista político do número de bases militares e um corte das compras de aviões dispendiosos, cuja finalidade é preparar as Forças Armadas americanas para que possam dominar os campos de batalha de alta tecnologia do século XXI. Em uma revisão estratégica das verbas da Defesa, que provocará furiosas disputas no Capitólio, Cohen apresentou uma redução das forças que exigirá o fechamento de mais bases militares, provavelmente ao custo de dezenas de milhares de empregos. A revisão também prevê o corte de 61.700 efetivos do total de 1,4 milhão das Forças Armadas americanas - um número relativamente reduzido em comparação com o acentuado declínio que já ocorreu desde o colapso soviético. Entretanto, Cohen quer cortes ainda maiores dos gastos de apoio e administração a fim de poder dispor de recursos para uma força mais moderna. As atuais gerações de armamentos também estão sendo reduzidas drasticamente. A compra do mais recente caça da Marinha americana, o McDonnell Douglas FA-18 E/F, baixou de 1.000 para 548 aviões. O próprio caça F-22 "stealth" da Lockheed Martin da Força Aérea americana sofreu cortes, devendo ser adquiridas 339 unidades em vez das 438 anteriormente previstas. A partir de agora, os EUA se concentrarão nas tecnologias da informação, em "uma revolução nos assuntos militares", como a define o almirante William Owens, ex-vice-chefe do Estado-Maior da Defesa. Computadores para os equipamentos de vigilância, comando e controle e armas de precisão se combinarão para criar um "campo de batalha digital", em que os comandantes dispõem de informações precisas sobre a localização de todas as forças e de todos os alvos. Uma grande prioridade será dada também à defesa nacional por meio de mísseis, área que tem forte apoio no Congresso. Entretanto, Cohen adverte que o projeto continua um alto risco, enquanto as tecnologias necessárias estão ainda engatinhando. Conseqüentemente, o Pentágono busca com cautela estas tecnologias, política que já foi criticada pelos pensadores da defesa conservadores. A revisão de ontem também tinha como objetivo a redução de "gorduras" da infra-estrutura e da logística nos serviços, a fim de evitar um enorme hiato entre as metas estabelecidas pelo governo para os recursos e para as compras nesta área. Os fechamentos ocorridos em quatro etapas anteriores já levaram à desativação de cerca de 100 instalações militares desde o final da Guerra Fria. As bases militares são um dos principais empregadores em Estados como Oklahoma e Maine, Estado natal de Cohen. No ápice da Guerra Fria, as forças americanas tinham 2,2 milhões de efetivos e o Departamento da Defesa gastava US$ 120 bilhões com armas. O orçamento proposto para a compra de armamentos no exercício fiscal de 1998 é de apenas US$ 42 bilhões, embora o governo tenha prometido aumentar as compras em 40% em termos reais, nos próximos cinco anos. Mesmo assim, muitos programas, como o avião "tiltrotor" V-22 da Bell-Boeing para o corpo de Fuzileiros Navais, que pode voar como um avião ou ficar suspenso no ar como um helicóptero, foram cortados na revisão, embora não tenha havido nenhum cancelamento de armamentos. A estrutura básica das Forças Armadas, inclusive a manutenção de 100.000 soldados na Europa e do mesmo número na região do Pacífico, continua inalterada. "O caminho que escolhemos estabelece um equilíbrio entre o presente e o futuro," disse Cohen.