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Jornal da Ciência online

Pensadoras Ocultas

Publicado em 22 agosto 2019

Por Márcio Ferrari | Revista Pesquisa FAPESP

Iniciativas no Brasil e no exterior tentam recuperar a obra de filósofas e investigam a sub-representação feminina nessa área do conhecimento

A presença de mulheres na história da filosofia é tão remota quanto a própria história da filosofia – há registros de pensadoras desde a Grécia antiga. “Edith Stein [1891-1942], Hannah Arendt [1906-1975] e Simone de Beauvoir [1908-1986], as célebres representantes do século XX, não apareceram do nada; elas estão sobre ombros de gigantes femininas antes delas”, afirma Ruth Hagengruber, diretora do Centro para a História de Mulheres Filósofas e Cientistas, da Universidade de Paderborn, na Alemanha, uma referência mundial no assunto. “Ao criá-lo, em 2006, nosso objetivo era renovar o discurso acadêmico sobre a longa tradição das mulheres filósofas.”

No Brasil, o tema vem ganhando força nos últimos anos.

Sucessivas conferências acadêmicas têm dado frutos como o blog Mulheres na Filosofia e a Rede Brasileira de Mulheres na Filosofia, que surgiram do II Encontro Vozes: Mulheres na Filosofia, realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2018, em sequência da primeira edição realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2017. “A proposta é intensificar a conversa entre alunas, pesquisadoras e docentes de todas as regiões do país e criar espaços para uma discussão ampla que questione as razões do silenciamento das filósofas do cânone e da absurda desigualdade de gênero na área de filosofia”, informa uma das coordenadoras do projeto, Yara Frateschi, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (IFCH-Unicamp).

Frateschi tem como parceiras na Rede professoras e pesquisadoras de várias universidades brasileiras, formando o grupo empenhado em criar o blog Mulheres na Filosofia, que deverá integrar o portal de blogs científicos da Unicamp a partir de setembro. A pesquisadora prevê um espaço virtual de contatos que permita produzir e manter atualizado um mapa de gênero, ou seja, da participação feminina no ensino de filosofia. Outra aba do blog reunirá – a exemplo da enciclopédia on-line mantida pela Universidade de Paderborn – verbetes sobre mulheres filósofas brasileiras e estrangeiras e também das várias correntes do feminismo. Estarão ainda vinculados ao blog canais de podcast e de vídeos no YouTube.

A troca de informações e experiências alcançou um marco importante no mês de junho, quando Frateschi, Hagengruber e outros cerca de 30 pesquisadores estiveram reunidos na I Conferência Internacional Mulheres na Filosofia Moderna, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), organizada por Katarina Peixoto, pesquisadora da instituição, e Pedro Pricladnitzk, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que estuda a obra da cientista e filósofa inglesa Margaret Cavendish (1623-1673).

Veja o texto na íntegra: Pesquisa Fapesp