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Correio da Paraíba online

Películas sobre vidro controlam luminosidade

Publicado em 05 novembro 2006

Fapesp

Um simples apertar de botão e o vidro da janela da casa ou do escritório pode ficar colorido em tons de rosa, azul, vermelho ou outras cores. Em um ambiente interno separado por vidros basta recorrer ao controle manual para não ser visto durante uma reunião, por exemplo. No caso de janelas externas, as condições de luminosidade ou climáticas podem também determinar os ajustes necessários, sem nenhuma intervenção. Em um dia nublado, o vidro fica mais claro, em um dia ensolarado, mais escuro, proporcionando maior conforto térmico e redução nos gastos de energia com sistemas de ar-condicionado e iluminação.
O nível de transparência e determinado por filmes finos (películas) com propriedades eletrocrômicas, que mudam suas propriedades ópticas com a aplicação de um campo elétrico e retornam ao seu estado inicial pela simples reversão desse campo. São esses filmes que estão sendo desenvolvidos por pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) com novidades' em relação aos mesmos materiais usados, ate comercialmente, no exterior, Na USP, eles utilizam materiais cerâmicos como o óxido de níquel, que apresentam efeito eletrocrômico. Na presença de um eletrólito, que é um condutor de elétrons e ions (átomos com perda de elétrons) e de um contra eletrodo, responsável por fechar o circuito eletrônico, esses materiais sob ação de um campo elétrico apresentam reações de transferência de cargas elétricas, responsáveis pela mudança de cor dos vidros. Um fotossensor, ligado a uma bateria, controla o nível de luminosidade e a necessidade de mudar do claro para o escuro e vice-versa.
Os filmes finos podem ser aplicados também em espelhos retrovisores de automóveis para diminuir o reflexo de uma luz intensa no espelho à noite, como um farol alto. Esse tipo de espelho funciona em conjunto com um fotossensor que reconhece se a luz está forte ou fraca.Quando a fonte de luz se afasta do carro, o espelho volta a condição normal de reflexão.
As janelas que mudam de cor já são produzidas fora do Brasil e usadas em projetos de arquitetura. Mas lá os filmes finos aplicados sobre o vidro são feitos com moléculas orgânicas, como corantes, que sofrem com a degradação provocada pela radiação ultravioleta do Sol, portanto um material pouco adequado ao clima tropical.
"Com os materiais orgânicos que usamos, como o oxido de níquel, a troca de janela pode demorar ate dez anos", diz a professora Márcia Carvalho de Abreu Fantini, do Laboratório de Cristalografia do Instituto de Física da USP, uma das participantes do projeto temático financiado pela FAPESP que estuda a preparação e o desenvolvimento de nanomateriais (com tamanhos próximos a 1 milímetro dividido por 1 milhão de vezes) cerâmicos ou híbridos, coordenado pelo professor Celso Valentim Santjlli, do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara.