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Gazeta de Ribeirão online

Pele cria células-tronco

Publicado em 27 janeiro 2009

Por Guto Silveira

Células da pele podem se transformar em células-tronco embrionárias. Em laboratório duas cientistas do Hemocentro de Ribeirão Preto já comprovaram a possibilidade. Agora, numa próxima etapa, será iniciada a infusão de células pluripotentes induzidas (iPS - do inglês Induced pluripotent stem cells) em camundongos para testar a sua semelhança com as células-tronco embrionárias.

A pesquisadora Virgínia Picanço e Castro, que conta com a colaboração, na pesquisa, da professora Elisa Maria de Souza Russo-Carbolante, diz que esta etapa do trabalho deve durar entre 30 e 45 dias. "Vamos colocar no animal e esperar para ver se ela formará tumores. Como são células novas, é difícil estimar o tempo necessário", afirma Virgínia Picanço.

Depois, a pesquisa pode utilizar animais maiores, até chegar ao ser humano. "A etapa da infusão em camundongos abre vários caminhos para a pesquisa. Hoje, em nenhum lugar do mundo há essa aplicação clínica. O certo é que estamos ganhando muito em conhecimento", diz a pesquisadora.

As pesquisas in vitro realizadas comprovaram que as iPS, retiradas da pele, têm as mesmas características das células-tronco embrionárias humanas. O resultado significa um grande avanço nas pesquisas sobre células-tronco.

Se os resultados em organismos vivos forem semelhantes aos de laboratórios será possível dispensar o uso de embriões para retirada de células embrionárias. Outra vantagem é que as células pluripotentes são obtidas de células adultas do próprio paciente, assim não há risco de rejeição para uso terapêutico. Nas células embrionárias, de obtenção mais difícil, a possibilidade de rejeição existe.

Além de dispensar o uso de embriões a retirada da célula da pele é muito mais fácil. "O processo é menos invasivo do que a de órgãos internos", explica.

O trabalho de pesquisa começou em 2007 com o projeto de pós-doc da Fapesp da Pesquisadora, com supervisão do professor Dimas Tadeu Covas presidente do Hemocentro de Ribeirão. Em 2008 houve aprovação, pelo CNPq, de um projeto também na área de iPS sob coordenação de Dimas Covas, que conta com a colaboração de mais três pesquisadores.