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Pegada de carbono terá destaque na COP 26

Publicado em 03 novembro 2021

Na assinatura do Acordo de Paris, cada país se comprometeu com metas próprias para redução das emissões de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), proveniente da queima de combustíveis fósseis, da indústria pesada e da devastação de florestas.

O Brasil possui potencial de mais de 80 bilhões em uma área inédita, que pode ainda contribuir para uma maior sustentabilidade do planeta e aumento da competividade industrial. “Este será um dos temas principais da Conferência do Clima (COP 26), que está reunindo mais de 190 países no período de 31 de outubro a 12 de novembro de 2021, em Glasgow, na Escócia, e que debaterá a regulamentação da chamada Pegada de Carbono e sua aplicabilidade prática nos países”, salienta Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News (www.revistaecotour.news).

Segundo o Climate Watch, plataforma do World Resources Institute, o Brasil é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa. A maior parte (44%) é relativa às atividades ligadas à mudança do uso da terra e desmatamento; 28% referem-se à agricultura e pecuária; e 24% à energia e indústria. Tal distribuição evidencia a premência de combater o desmatamento para que o País cumpra sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) perante o Acordo de Paris, que prevê reduzir as emissões de carbono em 37%, em 2025, e 43%, em 2030, tendo como referência o ano de 2005. A neutralização ocorreria em 2060.

Uma das estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera é capturar e converter o CO2 em novas moléculas, que podem ser transformadas em combustíveis, plásticos e uma variedade de outros produtos. Essa é a proposta do programa Carbon Capture and Utilization (CCU) do Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI). “Financiado pela Shell e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o centro mudou recentemente seu foco de atuação, e passou a desenvolver pesquisas que deverão ajudar o Brasil a retomar as metas do Acordo de Paris, ou seja, reduzir a emissão de gases em 37% até 2025 e 43% até 2030”, relata Vininha F. Carvalho.

A norma ISO 14064 fornece diretrizes para que as empresas calculem, tenham conhecimento e relatem suas emissões de GEE, identificando possíveis reduções e oportunidades de participação no mercado de Crédito de Carbono. Já o Greenhouse Gas Protocol estabelece estruturas padronizadas globais para gerenciamento e medição de gases de efeito estufa (GEE), com aplicação em setores públicos e privados, cadeias de valor e ações de neutralização e/ou redução.

De acordo com um estudo da Organização Meteorológica Mundial, a América Latina é projetada como uma das regiões do mundo onde os efeitos e impactos das mudanças climáticas, como ondas de calor, diminuição da produtividade agrícola, incêndios florestais, esgotamento de recifes de coral e os níveis extremos do mar, serão mais intensos.

A legislação preventiva, com estímulos em vez de apenas punições, será uma das bandeiras do Brasil na COP 26. Discutir mudanças climáticas globais é uma tarefa de sobrevivência e urgente para o planeta. Com o cálculo da Pegada de Carbono é possível traçar uma estratégia viável para redução e neutralização, como o uso de energias alternativas e plantio de árvores, por exemplo. Cada tonelada de redução de emissão de GEE é convertida em um certificado para a empresa ou país, chamado Crédito de Carbono.

O esforço político, entre chefes de Estado, empresas e ONGs, além dos contínuos investimentos em pesquisa, desenvolvimento de novas tecnologias, busca por novas fontes de energia renováveis e limpas é um grande desafio que será debatido neste encontro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esta inciativa visa assegurar que o aumento da temperatura média da Terra fique abaixo de 2º, motivo pelo qual o cálculo detalhado da Pegada de Carbono da indústria e o comprometimento com a redução das emissões de GEE são agendas cruciais para o cumprimento deste objetivo.

“A redução da queima de combustíveis fósseis que liberam grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera precisa ser intensificada para impedir que o efeito estufa provoque o aquecimento global”, conclui Vininha F. Carvalho.

Website: https://www.revistaecotour.news