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Pedagogia da ação-reflexão

Publicado em 22 agosto 2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP

"A transformação da escola pública pode ser considerada como uma utopia ou como uma atitude. Como perspectiva utópica estará por vir, mas como atitude a transformação se incorpora ao trabalho cotidiano."

Essa definição, de viver integralmente a realidade escolar, norteou o projeto "Trabalho integrado na escola pública: participação político-pedagógica", coordenado pelo professor Pedro Ganzeli, da Faculdade de Educação (FE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O projeto - desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Vicente Ráo, localizada no Parque Industrial, em Campinas - teve apoio da FAPESP por meio do Programa de Melhoria do Ensino Público.

De acordo com Ganzeli, a série de iniciativas ajudou a construir uma nova forma de organização democrática, tanto no âmbito interno da escola como na relação da unidade com os órgãos centrais de educação da rede municipal que controlam todo o processo escolar.

"As soluções foram pensadas pelos próprios professores, que deixaram de ser tarefeiros para adotar um trabalho reflexivo no enfrentamento dos problemas. A visão profissional se sobrepôs à visão personalista predominante na escola pública", disse à Agência FAPESP.

O projeto, iniciado em julho de 2006 e concluído no mês passado, buscou romper com a lógica de organização do espaço escolar tradicional, baseada majoritariamente nas decisões dos gestores da educação.

A escolha da escola se deu a critério da equipe gestora. E, a partir das necessidades da unidade, as ações começaram a ser elaboradas de maneira participativa. Segundo Ganzeli, a organização burocrática, fragmentação e falta de diálogo que ainda se fazem presentes na escola pública dificultam o entendimento das necessidades pedagógicas pelo setor administrativo.

"Ao discutir as demandas, o que víamos eram trabalhos muito fragmentados. A supervisora conversava com a diretora enquanto a coordenadora pedagógica mantinha contato com a orientadora pedagógica de forma isolada. E elas todas nunca se reuniam", apontou.

A escola Vicente Ráo, indicada pela supervisão de ensino, contava em 2005 com um quadro completo de gestores (diretora, dois vice-diretores e orientadora pedagógica), responsável por 1,2 mil alunos em quatro turnos.

"Iniciamos as reuniões para compor o grupo de bolsistas. A partir de diálogos constantes, desenvolvemos cinco subprojetos e terminamos com sete. Dos 14 professores pesquisadores, chegamos a 19 e, ao final, eram 16 bolsistas", contou Ganzeli.

Além das reuniões gerais com todo o grupo, para cada subprojeto houve encontros e ações específicas. Durante as reuniões do subprojeto intitulado Planejamento participativo: caminho da gestão democrática, que envolveu o planejamento participativo e o conselho de escola, não se notou, por exemplo, a presença de um regimento interno.

"Quando passamos a discutir o significado do regimento interno, começamos a perceber o significado do conselho e ampliamos a participação no processo de eleição. Por proposta dos gestores, informatizamos esse processo na eleição do conselho de escola, com mais divulgação. A dinâmica participativa aumentou bastante na unidade escolar", disse.

Outro subprojeto inovador foi o "Jogos da amizade", que, segundo professor da FE, envolveu a escola como um todo.&