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Brasil Energia

P&D em tempos de pandemia

Publicado em 10 maio 2021

Por Felipe Salgado

Shell e Baker Hughes relataram como estão conduzindo as atividades de P&D em seus centros de pesquisa em meio às restrições impostas pela pandemia

Diante da pandemia, a continuidade das atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que tanto dependem da interação entre pesquisadores, se tornou um grande desafio para as companhias de energia. Com a restrição de circulação, viagens foram canceladas e atividades triviais como testes em campo, montagens de equipamentos, testes e prototipagem tiveram que ser reconsideradas em seu formato e modo de execução. Nesse contexto de reorganização operacional, cronogramas e entregas foram impactados pelo cenário da Covid-19.

Procurada pelo PetróleoHoje, a Shell Brasil informou que seus pesquisadores e gestores de P&D estão trabalhando em regime de home office desde março de 2020. Nos centros internacionais da empresa, em Bangalore, Amsterdam e Houston, os pesquisadores também estão em trabalho remoto, acessando laboratórios de forma restrita, seguindo regras locais de acesso e autorização. “No início da pandemia, o impacto foi maior, já que foi necessário adaptar atividades programadas para o modelo virtual”, disse Carolina Rio, assessora sênior de Parcerias e Startups da Shell Brasil.

No Brasil, em projetos financiados pela Shell Brasil, executados em parceria com as universidades, institutos de pesquisa e empresas locais, os pesquisadores vinculados a tais projetos seguem as regras das instituições. Dessa forma, as decisões são específicas de cada um dos laboratórios para acesso e controle de circulação. No caso dos centros financiados em conjunto pela Shell Brasil e Fapesp, a interação e o potencial de criar novas abordagens a partir da interdisciplinaridade ficou limitado às telas.

“A restrição de circulação teve maior impacto em projetos que contavam com intercâmbio de experiências. Por mais que seja possível executar algumas atividades online, por meio de videoconferência e ligações, o aspecto intangível de relacionamento, a chamada “polinização cruzada” ou serendipity, não ocorre”, afirmou a executiva.

Segundo a companhia, determinados projetos sofreram atrasos devido a dificuldades operacionais. Em outros projetos, que dependiam de atividades numéricas e computacionais, não houve grande impacto; eles puderam ser executados dentro dos prazos. “A tecnologia atual permite o acesso a computadores e processadores de dados, não dependendo apenas de instalações locais, o que contribuiu muito para minimizar impactos nos cronogramas de projetos”, disse Carolina.

Baker Hughes

Atualmente, a equipe de P&D da Baker Hughes trabalha em quatro frentes de trabalho: a viabilidade do uso da tecnologia HiSep, patenteada pela Petrobras para o campo de Júpiter, no pré-sal da Bacia de Santos; um novo conceito de bomba submarina, que poderá ser empregado no pré-sal; eletrificação dos sistemas submarinos de produção; e, por último, o desenvolvimento de dutos flexíveis a partir de materiais compostos.

Durante a pandemia, a companhia adotou o regime de teletrabalho para todas as posições em que não há a exigência de presença física nas instalações. Quando é necessária a presença física em laboratórios, a Baker controla a circulação de pessoas através de medição de temperatura, utilização de máscaras, distribuição de álcool em gel e afastamento social em todas as instalações, como lugares demarcados em refeitórios e limite de pessoas em elevadores.

Sobre a revisão do cronograma das atividades, a companhia avalia que o impacto foi pequeno. “O teletrabalho está funcionando muito bem, tanto que a empresa está adotando a alternativa de trabalho remoto de forma definitiva para algumas funções na empresa”, disse em nota.