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Paulo Renato teve atuação definidora para a educação brasileira

Publicado em 28 junho 2011

Agência FAPESP – Paulo Renato Souza, ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-ministro da Educação, morreu na noite de sábado (25/06), vítima de infarto fulminante, em São Roque (SP).

Após velório na Assembleia Legislativa de São Paulo, o sepultamento foi realizado na segunda-feira no Cemitério do Morumbi, na capital paulista. Deixou três filhos e seis netos.

“Paulo Renato deu uma enorme contribuição para a educação no Brasil. Foi o grande responsável pela universalização do acesso ao ensino fundamental com a criação do Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério]”, disse Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.

“Lamentamos o falecimento do bom amigo Paulo Renato, companheiro de Ministério na Presidência de Fernando Henrique Cardoso, intelectual e homem público com o qual compartilhamos ideias e ideais em prol do nosso país”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.

“Paulo Renato valorizava o debate e como reitor da Unicamp teve papel fundamental ao conduzir a aprovação dos estatutos e formação do Conselho Universitário. Como ministro, teve uma atuação definidora para a educação no Brasil, criando o sistema de avaliação, os exames e o Fundef”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Um dos fundadores do PSDB, foi ministro da Educação no governo Fernando Henrique Cardoso (de 1995 a 2002) e secretário de Educação do Estado de São Paulo no governo Franco Montoro (1984-1986) e no governo José Serra (2009-2010). Em 2006, foi eleito deputado federal.

Nascido em Porto Alegre, em 10 de setembro de 1945, Souza graduou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1967. Realizou o mestrado também em Ciências Econômicas pela Universidade do Chile, de 1969 a 1970, e doutorou-se pela Unicamp em 1980.

Iniciou as atividades didáticas em 1969, no Instituto de Planificação Econômica e Social (Ilpes), no Chile, passando depois por muitas outras instituições de ensino nacionais e internacionais.

Em 1979, foi contratado pela Unicamp como professor do Instituto de Economia. Nessa função, além do desenvolvimento de atividades didáticas, exerceu também atividades de assessoria junto a outras instituições, das quais se destacou a de consultor da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) das Nações Unidas (1981-1982).

Foi eleito presidente da Associação dos Docentes da Unicamp (1979-1981) e em 1982 foi designado assessor de desenvolvimento universitário. Assumiu a reitoria em 1986, permanecendo quatro anos à frente da Unicamp.

Em sua gestão foram criadas as pró-reitorias de Graduação, de Pesquisa, de Extensão e Assuntos Comunitários, de Desenvolvimento Universitário e de Pós-Graduação. Ainda na área administrativa, o Conselho Universitário (Consu) substituiu o Conselho Diretor como órgão máximo da universidade, que, com isso, completou o seu processo de reforma institucional. Sua gestão caracterizou-se por uma forte política de investimento na pesquisa e foi o período em que, conquistada a institucionalidade, chegou-se à autonomia universitária.

Foram inaugurados no período o Hospital de Clínicas (HC) e o Centro de Saúde da Comunidade (Cecom) e foi desmembrada da Faculdade de Engenharia de Campinas – atual Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo – a Faculdade de Engenharia Elétrica, que depois viria a se denominar Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC).

“Paulo Renato teve atuação de destaque na institucionalização da Unicamp bem como para toda a área de educação no país. Além disso, desempenhou papel fundamental no processo de autonomia financeira e de gestão das três universidades estaduais paulistas”, disse Fernando Costa, reitor da Unicamp.

À frente do Ministério da Educação, Souza criou o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) – atualmente chamado de Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

“Fica para mim a lembrança de um amigo muito querido, de muitas jornadas. Para o Brasil, fica a lembrança do maior ministro da Educação que já tivemos, que tomou uma série de medidas corajosas. Podemos dividir a educação brasileira em dois momentos: antes e depois de Paulo Renato”, disse o ex-governador José Serra.