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Paulistano aspira ‘cinco cigarros’ por hora no trânsito da capital

Publicado em 20 junho 2019

De acordo com a pesquisa, as pessoas que mais concentravam poluentes nos pulmões foram as que moravam na periferia

Todo mundo sabe que ficar parado no trânsito deixa as pessoas expostas a poluição gerada pelos veículos. Agora, o que as pessoas não imaginam, é que permanecer uma hora no trânsito de São Paulo equivale a fumar cinco cigarros.

A conclusão é de um estudo inédito realizado pela Universidade de São Paulo. Para chegar a esse número, os cientistas analisaram os pulmões de 413 cadáveres para avaliarem as consequências da poluição atmosférica acumulada ao longo da vida.

O estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, vai ser apresentado na ONU nesta quinta-feira (20), junto a outras pesquisas sobre os efeitos dos poluentes na saúde humana.

De Nova York, um dos autores da pesquisa, o médico patologista Paulo Saldiva, destaca que agora está detectado uma associação significativa entre o acúmulo de partículas no pulmão e o tempo gasto no trânsito.

“Viver em São Paulo representa fumar o equivalente a cinco cigarros por dia. Só que esses cigarros você não tem escolha, você vai ter que ‘fumar’ de qualquer jeito. Seja você gestante, um indivíduo com doença coronariana, com histórico familiar de câncer”.

O diretor do Instituto de Estudos Avançado da USP ainda destaca a importância de se ter estratégias para combater a poluição. Ele afirma que abaixar o grau de poluentes é mais barato do que tratar as doenças provenientes da poluição.

A pesquisa envolveu cruzamento de dados e, uma das etapas, foi a realização de um questionário com os parentes dos mortos.

Os cientistas queriam saber informações como o local onde a pessoa morava, se era fumante, o tempo de morava em São Paulo e as horas gastas no trânsito.

Para a psicóloga Inês Leporacci, o estudo comprova o que o corpo sente no dia a dia. “Os olho ardem, a garganta arde, você fica com a boca seca. Eu não sei como o pessoal consegue correr e fazer exercícios na Avenida Paulista, por exemplo”.

O professor Pedro Ivo, que é de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, diz perceber que o ar na capital paulista é mais carregado. “A gente vem pra cá e sente a diferença na hora de respira, na hora de caminhar. Principalmente aqui no centrão, na Avenida Paulista, dificulta a respiração sim”.

O técnico em eletrônica, Daniel Meira, que é fumante, se surpreendeu com o estudo e destacou que as pessoas não tem muitas saídas quando estão no trânsito. “Sem dúvidas deve ter um impacto muito grande em quem não é fumante, em quem só está parado e é obrigado a respirar esse ar”.

A jornalista Michelle Keyne destacou que o cigarro pode fazer ainda mais mal porque tem outras substâncias tóxicas. “Nessa comparação do cigarro com a poluição a gente não sabe se a quantidade e o efeito da nicotina e do tabaco teria o mesmo da poluição”.

Segundo a pesquisa, as pessoas que mais concentravam poluentes nos pulmões foram as que moravam na periferia e ficavam mais tempo no trânsito.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni