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Brazilian Voice

Paulistana é a primeira brasileira a ser eleita à Academia de Ciências dos Estados Unidos

Publicado em 08 maio 2013

Por Leonardo Ferreira

Após 150 anos de sua fundação, a Academia de Ciências dos Estados Unidos (NAS) elegeu como membro a médica e pesquisadora paulistana Ruth Nussenzweig; de 85 anos, a primeira brasileira a ocupar o cargo na história da entidade. Ela junta-se ao seleto grupo de professores e cientistas brasileiros vinculados à academia, sendo eles: o seu próprio filho, Michel Nussenzweig, da Universidade Rockfeller, José Nelson Onuchic, da Universidade Rice, e José Scheiinkman, da Universidade Princeton. Atualmente, a entidade totaliza 13 profissionais brasileiros, entre eles, Max Birnstiel, nascido no Brasil e naturalizado suíço.

Atuando com seu marido, o pesquisador Victor Nussenzweig, ela é professora do Departamento de Parasitologia da Escola de Medicina da Universidade de Nova York. Os dois são parceiros profissionais desde os tempos de calouros na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ela se tornou internacionalmente conhecida por suas pesquisas pioneiras sobre a malária e é referência na área de biologia experimental, imunologia, biologia parasitária e desenvolvimento de vacinas.

Nascida em Viena, Áustria, Ruth Sonntag Nussenzweig ingressou na Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 1948 e formou-se em 1953. Durante o estudo universitário iniciou um projeto de pesquisa no Departamento de Parasitologia chefiado pelo Prof. Samuel Pessoa com a colaboração de Victor Nussenzweig. Antes de se formar, trabalhou vários anos no Departamento de Parasitologia o problema da transmissão da doença de Chagas pela transfusão sanguínea e sua prevenção. Em 1958, fez o pós-doutorado no Collège de France. Voltou ao Brasil por um curto período em 1960 quando trabalhou na Escola Paulista de Medicina no Departamento de Microbiologia (Prof. Otto Bier). Em 1963, mudou-se para Nova York trabalhar com o Dr. Zoltan Ovary e o Dr. Baruch Benacerraf no "New York University Medical Center". Em abril de 1964, tentou voltar para a Escola de Medicina da USP, mas naquela época o clima político não era nada favorável à pesquisa. No final de 1964, ela voltou ao "NYU Medical Center" tendo sido indicada para Professora Assistente (1965), Professora Associada (1968) e Professora Plena (1972). Em 1976, foi indicada Professora Titular e Chefe da Divisão de Parasitologia do Departamento de Microbiologia, e, em 1984, Professora Titular do Departamento de Parasitologia Médica e Molecular.

Graças ao projeto apoiado pelo São Paulo Excellence Chairs (Spec), um programa piloto da Fapesp, o casal se prepara para voltar a pesquisar no Brasil.