Notícia

O Dia (SP)

Paulista faz paralítico andar

Publicado em 26 março 2000

Por Mariana Timóteo da Costa
Sonho de voltar a andar ou mexer os braços já virou realidade para os quatro brasileiros beneficiados com o programa de reabilitação da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. Outros 200 recuperaram parcialmente os movimentos. "Criamos uma tecnologia que conduz sinais elétricos do cérebro aos músculos, por meio de fios acoplados a chips, acionados externamente por controle-remoto", explica o engenheiro Alberto Cliquet Júnior. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) e deve ser ampliado no ano que vem, para atender mais pessoas "Hoje, não dá para ajudar muitos, e temos filas de espera", diz Cliquet. Os cientistas partem do princípio de que, à medida que forem estimulados artificialmente, os músculos aprendem novamente a mexer-se por conta própria. "Assim, quem sabe, os aparelhos possam ir sendo desligados pouco a pouco. Acredito que esse seja o futuro. Mas ainda há muito a ser feito", relata Alberto Cliquet. Outro desafio é fazer com que, além dos movimentos, a sensibilidade volte. "Estamos desenvolvendo um outro chip, capaz de fazer o paciente perceber a força com a qual desempenha o movimento", adianta Cliquet. Quais são os maiores beneficiados com o projeto de reabilitação? Pessoas que tenham ficado paraplégicas ou tetraplégicas devido a tiros ou acidentes de carro. Mas quem teve a lesão localizada em uma região muito baixa dificilmente volta a andar com a ajuda dos chips Por quê? Porque, se a lesão se der na parte inferior da coluna lombar, a enervação periférica já foi muito destruída, e os músculos não vão receber devidamente os estímulos externos. Por que os circuitos externos são mais usados no Brasil, ao contrário dos chips que fizeram os europeus andar, que foram implantados? Seguimos aqui o modelo das pesquisas americanas, que mostraram que os fios implantados quebram dentro do organismo, à medida que o paciente for caminhando. O que é preciso para que isso não aconteça? O desenvolvimento de fios mais resistentes. Qual o futuro da reabilitação? Fazer com que o paciente não só mexa os membros, mas sinta-os. Estamos trabalhando nisso.