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Jornal da USP online

Patrimônio cultural em pauta na Universidade

Publicado em 20 maio 2015

Por André Meirelles

Na próxima semana, nos dias 25, 26 e 27 de maio, o Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP, também conhecido como Casa de Dona Yayá, promove um seminário para abordar as questões relativas ao patrimônio histórico e como se reconhece um bem cultural. O encontro ocorrerá no Centro Universitário Maria Antonia e estarão presentes pesquisadores e representantes de instituições nacionais e estrangeiras. Além do CPC, o seminário é organizado e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP.

Já há algum tempo, professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP têm colaborado com o Departamento de Patrimônio Histórico, ligado à Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, e com o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), ligado à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, para oferecer subsídios a edifícios que sejam referências de preservação. Neste sentido, houve a proposta da diretoria do CPC de se criar um evento que discutisse o processo de reconhecer um bem cultural.

“A tentativa justamente desse seminário é trazer mais elementos para a discussão para problematizar os instrumentos disponíveis, as formas de elaboração de inventário e as formas de reconhecimento dos bens culturais”, afirma Beatriz Mugayar Kühl, vice-diretora do CPC e professora da FAU. Para isso, foram organizadas três mesas de exposição que são divididas em cada dia de realização do evento.

Serão levadas à discussão diversas pesquisas realizadas nas academias, seja na USP ou fora dela. “Esse seminário é ao mesmo tempo uma ação de extensão mas ancorada na pesquisa. Extensão universitária não é qualquer ação, mas uma ação que resulta da produção do conhecimento que a Universidade faz”, explica a pró-reitora da PRCEU, Maria Arminda do Nascimento Arruda.

Uma das metas centrais desta gestão da PRCEU é justamente trabalhar na interface com as políticas públicas e, segundo Maria Arminda, este seminário está ligado a essa proposta. Além disso, a pró-reitora valoriza a atuação do CPC nesta discussão. “É um centro de reflexão e de ação na área da preservação, portanto ele tem que ser um instrumento das políticas patrimoniais, arquitetônicas e de edificação da Universidade. Ele tem que ser um grande interlocutor”.

Mesas de discussões

A primeira mesa vai levar como temática principal o processo de como reconhecer um bem cultural, ou seja, o que é colocado em um inventário e por que. Serão levantadas questões como os critérios utilizados hoje em dia, como isso comparece nas discussões e de que forma repercute nas políticas públicas de preservação, tutela, tombamento e inventário.

A cidade de São Paulo será tomada como o eixo da problematização. Portanto, a convidada Marly Rodrigues, diretora da Memórias Assessoria e Projetos, faz uma comparação e análise entre as políticas dos órgãos federais, estaduais e municipais em relação à preservação da capital paulista.

Entre os convidados estrangeiros, foram convidadas duas personalidades importantes para a discussão: Gabriela Lee, da Universidad Iberoamericana Ciudad de México, que levará a questão sobre os instrumentos normativos e as políticas para o reconhecimento dos bens culturais no México. “A Cidade do México é uma cidade enorme, com políticas às vezes conflitantes entre estruturas federais em relação ao patrimônio; para nós pode ser útil aprender mais sobre essa experiência”, destaca Beatriz. A vice-diretora ainda destaca o paralelismo entre a capital mexicana e a cidade de São Paulo. A outra presença será a do francês Richard Klein, da École Nationale Supérieure d’Architecture et de Paysage (Ensap) de Lille. Klein abordará o patrimônio moderno.

No segundo dia do seminário, as discussões serão sobre as práticas de inventários arquitetônicos, ou seja, tudo aquilo que está construído em nossas cidades ou áreas rurais e que possui um potencial de preservação. “Eles são uma testemunha significativa do fazer humano de outras épocas, no campo da arquitetura. Eles têm essas características de tentar registrar e ser um instrumento de identificação daquilo que pode ser significativo para a preservação”, explica Beatriz.

A temática foi criada justamente para entender a metodologia e a forma de criação dos inventários arquitetônicos, levando em conta os métodos, desafios e as perspectivas. Entre os horários das mesas, estarão dois convidados internacionais: Antonella Negri, da Itália, e Ana Paula Noé da Silva, de Portugal. “São métodos de catálogos e inventários que têm dado um resultado muito interessante. Nós escolhemos duas experiências europeias de raízes latinas, como Portugal, por conta da grande afinidade com o Brasil, para colocá-las em diálogo com as experiências atuais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)”, afirma.

Já a terceira mesa será uma exposição das experiências de reconhecimento de bens culturais recentes ou que estão em andamento na cidade de São Paulo. Para isso, estarão presentes a convidada Adda Ungaretti, do Condephaat, e convidados da própria USP.

“A experiência da Universidade de São Paulo é a partir de diversas iniciativas de elaborar um inventário e catalogação do patrimônio da própria Universidade”, revela Beatriz, que participará da mesa junto a Monica Junqueira de Camargo e Marianna Boghosian Al Assal, da Escola da Cidade. Neste terceiro dia, a mesa seguirá no sentido de articulação das pesquisas no âmbito da academia e as políticas da preservação do município.

Importância

Para a vice-diretora do CPC, Beatriz Mugayar Kühl, o seminário tem uma grande importância para se alterar o modo como os inventários são vistos: “Eles são encarados como se fosse um problema só do tipo de ficha e suporte digital que se usam para catalogar as obras. Eu acho que o problema é uma questão de que critérios nós discutimos para reconhecer os bens culturais, o que para mim é o problema principal”.

Para a pró-reitora Maria Arminda, é muito significativo que a Universidade de São Paulo discuta essas questões em seus conhecimentos. “Este seminário é importante não só porque se trata de fazer uma reflexão do que seja o patrimônio, mas também porque a USP tem um patrimônio inesgotável, seja ele artístico, arquitetônico ou histórico.”

Além disso, reconhece o caráter de a Universidade questionar e deixar em pauta os assuntos mais relevantes na sociedade. “A USP é uma universidade pública e tem como princípio e obrigação fazer uma reflexão sobre questões centrais da sociedade; neste momento, essa é uma questão importante, o problema dos reconhecimentos dos bens culturais”, completa Maria Arminda.

Beatriz acredita que promover essa discussão dentro da USP vai ser essencial para colocar a questão do reconhecimento dos bens culturais em pauta e, eventualmente, dar força ao assunto para o futuro. “A nossa intenção com a criação foi justamente oferecer uma primeira base, lançar questões e problematizar esse tema, com a esperança que isso se desdobre em futuras discussões.”

Serviço

26/5

14h Abertura

Maria Arminda do Nascimento Arruda (pró-reitora da PRCEU)

Mônica Junqueira de Camargo (CPC e FAU)

Beatriz Mugayar Kühl (CPC e FAU)

Mesa 1 – O reconhecimento dos bens culturais e sua implicação nas práticas de preservação: experiências em confronto

14h30 Richard Klein, (França)

16h Marly Rodrigues, (Memórias Assessoria e Projetos)

17h Gabriela Lee, (México)

18h Debates /moderadora: Simone Scifoni (FFLCH)

27/5

Mesa 2 – Práticas de inventários arquitetônicos: métodos, desafios, perspectivas

14h Antonella Negri (Itália)

15h José Rodrigues Cavalcanti Neto (Iphan)

16h30 Ana Paula Noé da Silva (Portugal)

17h30 Debates /moderadora: Flávia Brito do Nascimento (FAU)

28/5

Mesa 3 – Propostas de documentação e inventário: a problematização de experiências

14h Adda Ungaretti e Amanda W. Caporrino (Condephaat)

15h Marianna Boghosian Al Assal (Escola da Cidade)

Mônica Junqueira de Camargo (CPC e FAU)

Sabrina Fontenele Costa (CPC)

16h45 Manoela Rossinetti Rufinoni (Unifesp)

17h30 Debates /moderadora: Claudia S. R. Carvalho (Casa Rui Barbosa)

Local: Centro Universitário Maria Antonia (rua Maria Antonia, 294, Consolação, São Paulo).