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Parque de Sorocaba tem plano de internacionalização

Publicado em 23 fevereiro 2017

O Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS) aposta na internacionalização para atrair novos investimentos e startups. A estratégia é captar recursos estrangeiros por meio de centros de pesquisa e empresas interessados em atuar no mercado latino-americano. Em quatro anos de atividade, os aportes públicos diretos em infraestrutura e operação no PTS somam R$ 80 milhões, dos governos estadual e municipal.

"Trata-se de por em prática a expressão 'pense globalmente e haja localmente'", diz Rubens Hungria de Lara, presidente do parque inaugurado em 2012. O objetivo é dar uma projeção internacional ao PTS em setores de reconhecida capacidade técnica. "Queremos posicionar Sorocaba como uma porta de entrada para empresas inovadoras e de base tecnológica de todo o mundo."

O plano inclui parcerias com universidades e parques por meio de um programa de "softlanding", com serviços de apoio para que companhias do exterior utilizem o PTS para testar o mercado local. "Da mesma forma, vamos conectar as nossas empresas com ambientes de inovação globais que possam abrir portas de segmentos estratégicos."

O PTS também está costurando acordos com câmaras de comércio e consulados. Um escritório da câmara do Mercosul vai funcionar no local para ajudar empresas sorocabanas a chegar a compradores do Cone Sul.

Com uma área total de 1,2 milhão de metros quadrados, o PTS tem 12 mil metros quadrados de área construída e abriga 46 instituições, sendo oito universidades, uma agência de governo, 37 empresas e startups. Segundo o presidente, a meta do empreendimento é enfatizar projetos nos segmentos automotivo, de energias renováveis, tecnologia e saúde.

Entre as principais instituições-âncoras do parque estão o instituto de pesquisa C.E.S.A.R.; o Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), que oferece serviços de certificação de produtos químicos automotivos, além da montadora Scania.

Em quatro anos de operação, os investimentos públicos no PTS, que gera cerca de 200 empregos diretos, somam R$ 80 milhões. "Esses recursos possibilitaram a atração de mais R$ 100 milhões em aportes privados, além de R$ 15 milhões de agências de financiamento, como a Finep, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)."

O parque mantém ainda a incubadora Hubiz, com 27 startups residentes. Do total, a maioria ou 15% das empresas estão ligadas ao setor de economia criativa, seguido dos segmentos pet e de TI, com 11% de participação cada um. Seis negócios ou 20% das incubadas estão em fase inicial de internacionalização. A ideia é que esse índice atinja 40% do conjunto, nos próximos dois anos.

"Já participamos de um catálogo de equipamentos 'subsea' (submarinos) do Brasil e Reino Unido e de feiras de negócios nos Estados Unidos", diz, de Londres, Luis Carlos Rosa, sócio da Seip 7. Na capital inglesa, ele faz um treinamento para líderes inovadores na Royal Academy of Engineering, sociedade científica britânica ligada à área de engenharia.

A Seip 7 está incubada no PTS há dois anos e criou soluções para identificar vazamentos de água, óleo e gás. Agora, desenvolve uma sonda de baixo custo para prevenir perdas de petróleo em águas profundas. O investimento no projeto é de R$ 500 mil. Ainda sem clientes, pretende faturar R$ 275 mil no primeiro ano de operação.

No total, a incubadora Hubiz já graduou mais de 40 empreendimentos que, somados, faturam R$ 300 milhões e geram 500 empregos diretos. A intenção é atrair, pelo menos, cinco novas companhias em 2017. Há negociações em andamento com empresários dos setores de tecnologia, datacenter e energias renováveis.

Segundo Lara, o PTS tem um orçamento anual de R$ 5,5 milhões e complementa o caixa com recursos de agências de fomento e serviços prestados às empresas. "Neste momento de escassez de recursos, o principal desafio dos parques é a sustentabilidade financeira", analisa. "Como toda política pública, temos um tempo de maturação longo. Exemplos bem-sucedidos de clusters levam de 15 a 20 anos para se consolidarem."