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Nexo Jornal

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Publicado em 05 fevereiro 2019

O início da década de 1970 marcou a derrota dos grandes movimentos de contestação política, iniciados em escala mundial em 1968, e os anos mais sombrios do regime militar (1964-1985), marcado pelo fechamento do ambiente social, político e cultural no país.

Num momento de recrudescimento da repressão política — com exemplos como a instauração da censura e a proibição de manifestações no Brasil —, artistas e cidadãos impossibilitados de vencer o “sistema” pelo embate frontal buscaram formas laterais de escapar dele.

Daí surgiram a contracultura e a geração “desbunde” que, no lugar da grande política, responderam à repressão do Estado no plano cultural e do comportamento. Na literatura, poetas vanguardistas e “marginais” publicavam fora do mercado como forma de resistência.

Aos autores daquele período se refere o livro “Neste instante: novos olhares sobre a poesia brasileira dos anos 1970” (ed. Humanitas, 2018), lançado recentemente e coordenado pelos pesquisadores Viviana Bosi e Renan Nuernberger, ambos da USP (Universidade de São Paulo).

Em uma coleção de ensaios, o texto retrata as características das obras dos artistas que Bosi chama de “geração interrompida“ — conjunto de poetas que convivia em desvantagem com o autoritarismo brasileiro.

Autores como Ana Cristina Cesar, Paulo Leminski, Waly Salomão, Cacaso, Duda Machado, Jorge Wanderley e Haroldo de Campos fizeram seus principais trabalhos nessa época — alguns escrevem boa poesia até hoje, como Augusto de Campos e Afonso Henriques Neto.

A maior parte, no entanto, talvez por não suportar a carga da época, morreu cedo — alguns de forma trágica, como Ana Cristina, Torquato Neto e Guilherme Mandaro. Sua marca, no entanto, sobreviveu no corpo do texto, segundo Bosi. E tem muito a dizer à geração atual.

Neste quiz, o Nexo faz dez perguntas sobre o trabalho desses poetas. Você sabe dizer a qual autor pertencem os textos abaixo?

Ana Cristina Cesar

Resposta

Hilda Hilst

Resposta

Rachel de Queiroz

Resposta

A carioca Ana Cristina Cesar (1952-1983) foi escritora, crítica literária, tradutora e uma das principais vozes da poesia marginal na década de 1970. Seu estilo ficou marcado tanto pelos temas subjetivos quanto pelo “ritmo ofegante” e a “escrita cortada, que traduzem a dificuldade de viver, a dificuldade de interlocução, a sensação de isolamento social”, disse Viviana Bosi à Agência Fapesp. Muitas vezes coloquial e intimista, a escritora construiu uma obra de poemas, textos em prosa, diários e cartas fictícias que revelaram ideias sobre o íntimo, o universal, o feminino, sua vida e literatura. “Ana C. concede ao leitor aquele delicioso prazer meio proibido de espiar a intimidade alheia pelo buraco da fechadura”, disse Caio Fernando Abreu em 1982. São livros de Ana Cristina “Cenas de abril” (1979), “Correspondência completa” (1979), “Luvas de pelica” (1980) e “A teus pés” (1982). Em 2013, a Companhia das Letras lançou “Poética”, que reúne toda a obra da autora. Ela foi a homenageada da Flip (Festa Literária de Paraty) três anos depois.

Manoel de Barros

Resposta

Cacaso

Resposta

Haroldo de Campos

Resposta

O mineiro Antônio Carlos de Brito, conhecido como Cacaso (1944-1987), é o autor de “Há uma gota de sangue no cartão postal”. Foi letrista, professor universitário de literatura e uma das principais figuras que atraíram visibilidade e respeitabilidade à poesia marginal — em 1974, seu artigo “Nosso verso de pé quebrado”, com Heloísa Buarque de Hollanda, foi um dos primeiros a teorizar acerca das poéticas brasileiras de vanguarda. Sua obra artística foi uma das mais combativas dos anos militares, na medida em que vários de seus poemas dialogaram “com aspectos sinistros daquela época”, segundo Viviana Bosi. São seus livros “A palavra cerzida” (1967), “Beijo na boca” (1975), “Na corda bamba” (1978) e “Mar de mineiro” (1982). Em 2002, “Lero-lero” reuniu sua obra completa.

Paulo Leminski

Resposta

Augusto de Campos

Resposta

Sebastião Uchoa Leite

Resposta

O pernambucano Sebastião Uchoa Leite (1935-2003) ficou conhecido pela erudição como ensaísta e articulador cultural e pela versatilidade como poeta. Iniciou a carreira nos anos 1950 “com uma poesia muito elevada, que lembra [o francês] Paul Valéry”, segundo Viviana Bosi, e nas décadas seguintes entrou em contato com os concretistas e com a poesia marginal. Na época da contracultura, “por ser um poeta muito reflexivo, passou a usar o humor e a ironia como instrumentos críticos em relação ao momento”, disse a autora à Agência Fapesp. Ao longo da vida, por ter estado à frente da publicação de importantes suplementos, o poeta também ficou conhecido por ter dado vigor à produção e à crítica literária nacional. São seus livros “Antilogia” (1979), “Isso não é aquilo” (1982) e “Obras em dobras” (1988).

Mário Quintana

Resposta

Roberto Piva

Resposta

Paulo Leminski

Resposta

Às vezes chamado de “samurai-malandro”, o curitibano Paulo Leminski (1944-1989) foi escritor, poeta, crítico e professor. Por seu trabalho versátil e contemporâneo, é um dos poetas brasileiros mais lidos das últimas décadas. Ativo na cena cultural desde o fim dos anos 1960, Leminski interagiu com os principais artistas de sua época, participando do movimento tropicalista e tendo vários de seus poemas musicados, como “Verdura”. Sua obra ficou marcada pela astúcia e o verso lapidar, mesclando elementos pop e eruditos. Na forma, seu estilo variou entre a lírica, a poesia concreta, a canção e o haikai. São livros de Leminski “Catatau” (1975), “Quarenta clics em Curitiba” (1976) e “Caprichos e relaxos” (1983), entre outros. Em 2013, a Companhia das Letras lançou “Toda poesia”, reunião da sua obra completa.

Waly Salomão

Resposta

Armando Freitas Filho

Resposta

João Cabral de Melo Neto

Resposta

O baiano Waly Salomão (1943-2003) foi poeta, letrista, articulador cultural, artista visual e diretor de espetáculos. É considerado um dos personagens mais fecundos e heterogêneos da vanguarda, por ter sido a “ponta de lança” da geração de poetas que, em resistência à censura, pensaram sua produção literária em articulação com outras artes. Sua obra é marcada ao mesmo tempo pela vitalidade (“meu primeiro texto jorrou daqui de dentro”, disse ele em filme sobre sua vida) e por um exaustivo trabalho formal. Alguns de seus livros são “Me segura qu’eu vou dar um troço” (1972) e “Gigolô de bibelôs” (1983). Em 2014, a Companhia das Letras lançou “Poesia total”, com toda a obra de Salomão — o livro rendeu uma onda de homenagens nos meses seguintes. Assim como Leminski, Waly teve poemas musicados por artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Adriana Calcanhoto.

Mário Quintana

Resposta

Duda Machado

Resposta

Roberto Piva

Resposta

O paulistano Roberto Piva (1937-2010) teve uma trajetória recolhida em comparação com outros poetas da geração marginal. Iniciou a carreira em 1961, ao participar da “Antologia dos novíssimos” da literatura de São Paulo, e logo se tornou uma das principais vozes da vanguarda na metrópole. Sua obra ficou marcada pelas influências beat e surrealista, que produziram uma poesia considerada exuberante, anárquica, experimental, delirante e visionária. Na década de 1970, o poeta ainda procuraria conexões místicas com a poesia oral xamânica, segundo Viviana Bosi. São seus livros “Paranoia” (1963), “Piazzas” (1964), “Abra os olhos e diga ah!” (1975) e “Coxas” (1979). De 2005 a 2008, a Editora Globo publicou toda a obra de Piva em três volumes.

Manoel de Barros

Resposta

Afonso Henriques Neto

Resposta

Jorge de Lima

Resposta

O mineiro Afonso Henriques Neto (1944-), neto do simbolista Alphonsus de Guimaraens, é poeta e professor. Iniciou a carreira nos anos 1970, no movimento marginal, e ganhou destaque ao aparecer na antologia “26 poetas hoje” (1976), organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Sua poesia mescla visceralidade e consciência técnica, inspirada no surrealismo e atenta aos dilemas políticos contemporâneos. Segundo o poeta Cacaso, na década de 1970, Neto também aderiu a influências nacionais, escrevendo poesia “com sotaque mineiro”. São seus livros “O misterioso ladrão de Tenerife” (1972), ”Restos & estrelas & fraturas” (1975) e “Eles devem ter visto o caos” (1998). Além de escrever, Neto trabalhou na Funarte (Fundação Nacional de Arte) e leciona na UFF (Universidade Federal Fluminense).

José Paulo Paes

Resposta

Augusto de Campos

Resposta

Augusto dos Anjos

Resposta

Ao lado de Haroldo de Campos e Décio Pignatari, Augusto de Campos (1931-) é um dos principais nomes do concretismo brasileiro, marcado pela não formalidade, a visualidade e a exploração dos aspectos gráficos do poema. Iniciado nos anos 1950, o movimento não perdeu fôlego ao longo da ditadura militar, quando Campos publicou algumas de suas principais obras. Da época, são seus livros “Poetamenos” (1953), “Poemóbiles” (1974), “Caixa preta” (1975) e “Viva vaia” (1979). Além dos textos em papel, Campos expandiu seus “poemas-objetos” para outros suportes — como na exposição “Arte Suporte Computador” (1997), em que exibiu 16 “clip-poemas” animados e digitais. Em 2018, em ato mais recente de seu entusiasmo com novas plataformas, o poeta criou uma conta no Instagram (@poetamenos), em que tem publicado trabalhos inéditos, no calor dos eventos políticos.

Décio Pignatari

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Ferreira Gullar

Resposta

José Paulo Paes

Resposta

O paulista José Paulo Paes (1926-1998), da cidade de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário. Estreou na poesia com “O aluno” (1947), próximo da tradição modernista — ele receberia conselhos de Oswald de Andrade e de Carlos Drummond de Andrade no início da carreira. Anos mais tarde, em resposta ao fechamento social e político na ditadura militar, o poeta ora se aproximaria da poesia concreta, ora faria uso “da ironia, do chiste e do oblíquo” em sua obra, inspirado no estilo oswaldiano, segundo Viviana Bosi. “Em poemas muito concisos, ele contestou a ideologia ufanista, moralista, oficialesca”, disse ela à Agência Fapesp. São livros de José Paulo Paes “Cúmplices” (1951), “Mistério em casa” (1963), “Resíduo” (1973) e “A poesia está morta, mas juro que não fui eu” (1988).

Armando Freitas Filho

Resposta

Manoel de Barros

Resposta

Rachel de Queiroz

Resposta

O carioca Armando Freitas Filho (1940-) foi poeta e pesquisador na área cultural. Iniciou-se na poesia nos anos 1960, adepto da “instauração práxis”, vanguarda estética derivada da poesia concreta. A partir da década de 1970, no entanto, destacou-se por explorar a temática do corpo. São seus livros “Palavra” (1963), “Marca registrada” (1970), “De corpo presente” (1975) e “À mão livre” (1979). Publicou também o ensaio “Anos 70 - Literatura” (1979) com Heloísa Buarque de Hollanda e Marcos Augusto Gonçalves. Em 2003, ele reuniu sua obra em “Máquina de escrever” — embora mais tarde tenha publicado novos poemas, os mais recentes em “Rol” (2016). Melhor amigo de Ana Cristina Cesar, o poeta organizou sua obra e colaborou para a publicação de livros póstumos da escritora, como “Poética”.

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